Jerónimo de Sousa assume dificuldades do PCP face a um processo “contrarrevolucionário que já dura há 48 anos”

Numa intervenção de dez minutos, que foi aplaudida de pé pelos delegados comunistas, o antigo secretário-geral procurou sobretudo desdramatizar as condições do tempo do presente e transmitir uma mensagem de confiança em relação ao futuro. O Congresso Nacional do PCP, decorre até amanhã em Almada.

Jerónimo de Sousa assume dificuldades do PCP face a um processo “contrarrevolucionário que já dura há 48 anos”
Tiago Petinga/Lusa

O ex-secretário-geral do PCP Jerónimo de Sousa recorreu este sábado à História do último século para sustentar a tese de que os comunistas enfrentaram em vários momentos conjunturas extremamente adversas, sucederam-se as direções, mas sempre souberam erguer-se.

“O que a História nos diz é que o PCP, perante as maiores das dificuldades e adversidades que enfrentou, encontrou sempre força para se erguer e avançar e cumprir os seus compromissos com os trabalhadores e o povo”, declarou Jerónimo de Sousa no discurso que proferiu na manhã do segundo de três dias do Congresso Nacional do PCP, em Almada.

Numa intervenção de dez minutos, que foi aplaudida de pé pelos delegados comunistas e em que assumiu as dificuldades atuais do seu partido face a um processo “contrarrevolucionário que já dura há 48 anos”, Jerónimo de Sousa procurou sobretudo desdramatizar as condições do tempo do presente e transmitir uma mensagem de confiança em relação ao futuro.

“Quem olhar para a história do PCP verificará que, desde os longínquos anos da sua fundação, nunca teve uma vida fácil, mas nunca desistiu. Ilegalizado quase à nascença, não aceitou a sentença da sua liquidação e partiu para a luta pela conquista da liberdade e da democracia, correndo os maiores riscos e atravessando as mais tenebrosas conjunturas”, referiu.

Sobre os últimos anos da política nacional, o anterior líder não se pronunciou sobre a experiência da “Geringonça”, tempo em que liderou o PCP, com o partido a apoiar no parlamento executivos minoritários do PS. Falou apenas em termos globais, dizendo que “o Governo da AD (Aliança Democrática), com as costas quentes da Iniciativa Liberal e do Chega, quer levar mais longe” o processo contrarrevolucionário em Portugal.

Depois, fez uma defesa vigorosa sobre a utilidade da ação do PCP. “Onde não iria a liquidação das conquistas de Abril e do regime democrático, a própria exploração do trabalho, que seria mais profunda, se não fosse a luta constante, firme e leal do PCP?”, perguntou.

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