Portugueses fizeram 11,3 milhões de transferências com nome do beneficiário no primeiro mês

O serviço, que permite identificar o beneficiário de uma transferência antes de esta ser realizada, foi lançado no dia 20 de maio pelo Banco de Portugal com o objetivo de tornar estas operações mais seguras ao reduzir as situações de fraude e de burla.

Portugueses fizeram 11,3 milhões de transferências com nome do beneficiário no primeiro mês
Governador do Banco de Portugal apresenta Boletim Económico

Houve 11,3 milhões de pedidos de confirmação do beneficiário ao Banco de Portugal pelos 36 prestadores de serviços de pagamento desde que a facilidade foi lançada há um mês, de acordo com dados disponibilizados ao Jornal Económico. Este serviço permite identificar o beneficiário de uma transferência, a crédito ou imediata, antes de esta ser realizada em todos os canais disponibilizados pelos bancos. O objetivo do regulador liderado por Mário Centeno é reduzir as situações de fraude ou de burla a que os clientes bancários estão cada vez mais vulneráveis. 

O Banco de Portugal decidiu lançar a 20 de maio o serviço de confirmação do beneficiário, evitando “transferências e cobranças indevidamente endereçadas, bem como situações de fraude e de burla”, referiu o regulador. Desde então foram feitos vários milhões de pedidos de confirmação. Em média, registaram-se 376 mil pedidos por dia, sendo que no dia 3 de junho registou-se um pico de 720 mil, de acordo com dados do regulador. Habitualmente, o período horário em que se registam mais pedidos de confirmação do beneficiário é entre as 11:00 e as 12:00.

“Estas funcionalidades reforçam a segurança do utilizador na execução de operações de pagamento, pois permitem ao ordenante de uma transferência, a crédito ou imediata, e ao credor de um débito direto confirmar a identidade do respetivo beneficiário/devedor antes de a operação ser iniciada”, afirmou a entidade quando lançou este serviço que até agora apenas era oferecido nas operações realizadas através das chamadas caixas multibanco e que passa a estar também disponível em todas as plataformas dos bancos, seja no homebanking ou nas aplicações móveis.

As situações de fraude ou de burla estão a aumentar, tendo sido registado um crescimento na taxa de fraude nas transferências entre o primeiro semestre de 2021 e o primeiro semestre de 2023, mostram dados do Banco de Portugal. Nos primeiros seis meses do ano passado, observaram-se seis situações de fraude em cada milhão de transferências, o que se traduziu em 1,8 milhões de euros de perdas. Do total de perdas, 83,5% foram suportadas pelos utilizadores. Além disso, 60% das fraudes com transferências decorreram do uso de técnicas de manipulação comportamental do ordenante pelo infrator. 

Confirmação do beneficiário também no SPIN

Esta não foi, contudo, a única funcionalidade criada pelo Banco de Portugal para tornar estas operações mais seguras. Desde esta segunda-feira, 24 de maio, que está em funcionamento o SPIN, o serviço do regulador que permite fazer transferências utilizando apenas o número de telemóvel ou, no caso das empresas, o Número de Identificação de Pessoa Coletiva (NIPC), em vez do IBAN, em que também está disponível a confirmação do beneficiário. 

Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal, afirmou, em conferência de imprensa, que “será a solução de pagamentos mais abrangente, universal e segura” num mercado que conta com outros players, nomeadamente o MBWay, da SIBS. A facilidade é disponibilizada pelo regulador aos bancos que, por sua vez, têm de disponibilizá-la obrigatoriamente aos seus clientes até meados de setembro. 

Ao Jornal Económico, fonte oficial explica que “os bancos ainda estão numa fase de lançamento do serviço aos seus clientes e a concluir a disponibilização de versões atualizadas das apps e do homebanking. Não obstante, confirmamos que 14 bancos já estão preparados para disponibilizar este serviço aos seus clientes”.

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