Israel: Netanyahu dá mostra de ‘desalinhamento’ com ministro da Segurança

O mais ‘odiado’ de todos os ministros do governo israelita, o extremista Bem Gvir, parace estar a ser deixado de lado pelo chefe do governo – que quer trabalhas com os deputados árabes numa solução para a violência.

Israel: Netanyahu dá mostra de ‘desalinhamento’ com ministro da Segurança
Atef Safadi/Reuters

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, convidou os deputados dos partidos israelitas árabes para se encontrarem pessoalmente consigo para falarem e tentarem chegar a um entendimento sobre a onda de violência mortal que assola o país. O convite surge como uma alternativa a deixar o assunto nas mãos do ministro de Segurança Nacional, de extrema-direita, Itamar Ben Gvir.

Os jornais israelitas enfatizam que este convite é uma clara afronta política a Ben Gvir – que considera puro disparate qualquer contacto com os árabes ou com os islamistas, venham eles de onde vierem. Os deputados árabes fazem o mesmo: recusam-se a aceitar a presença de Ben Gvir na reunião, dizendo que não estão interessados na sua presença.

Netanyahu estendeu o seu convite público aos deputados árabes durante um debate no Knesset sobre o crescimento da violência sectária na sociedade israelita e a aparente incapacidade de o governo lhe dar uma resposta satisfatória. O debate foi convocado pela oposição, que exigiu a presença de Netanyahu.

Israel registou mais de 90 homicídios desde o início do ano, mais do dobro do verificado no mesmo período de 2022. A maioria dos assassinatos ocorreu na comunidade árabe, mas não só. Ben Gvir, que fez campanha com promessas de reforçar a segurança, manteve-se em silêncio sobre o aumento do número de homicídios, segundo relata a comunicação social israelita, e não esteve presente na sessão do Knesset que debateu o tema.

“Isso não é [show of], vem do fundo do meu coração e do entendimento de que sou o primeiro-ministro de todos os cidadãos de Israel e quero a sua ajuda e a sua cooperação. E estou ansioso por esta reunião”, disse aos deputados árabes – num anúncio que com certeza nenhuma força presente estaria à espera.

Recorde-se que tem havido uma verdadeira barragem internacional contra o ministro extremista – acusado e condenado por ações contra os palestinianos e por racismo – com várias chancelarias a deixarem claro que não estão interessados em conviver politicamente com Ben Gvir – que ostensivamente vive num colonato israelita em território palestiniano ilegalmente ocupado (à luz das decisões da ONU).

A própria Casa Branca está a demonstrar uma enorme relutância em convidar o seu ‘amigo’ de sempre, Netanyahu, para uma viagem aos Estados Unidos – parecendo ser Ben Gviv a causa da ausência do convite, cerca de meio ano depois de o governo de Netanyahu ter tomado posse.

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