Israel: forças de segurança criticam ataques de colonos na Cisjordânia

Numa declaração raríssima, a FDI criticou os colonos israelitas que atacaram duas cidades palestinianas na Cisjordânia, incendiando casas de habitação e automóveis. Uma escola e uma mesquita terão escapado por pouco.

Israel: forças de segurança criticam ataques de colonos na Cisjordânia
Orçamento da defesa: 15,6 mil milhões de dólares

Um dia depois de um grupo de colonos ter lançado fogo a dezenas de residência e de automóveis de palestinianos a viver na Cisjordânia, na semana passada, foram as próprias forças de segurança do país (as FDI) a criticarem a iniciativa dos israelitas que ocupam essa faixa de terreno – ilegalmente, do ponto de vista do direito internacional.

Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel (a FDI) denunciou como tristes os ataques dos colonos às cidades palestinianas de Turmus Ayya e Urif. Por seu lado, em declarações à Rádio do Exército, o contra-almirante Daniel Hagari reconheceu que as FDI “falharam em evita”” os distúrbios, descrevendo os ataques como “muito graves”. “Foi um incidente que cria terror e escalada de tensão, e leva a população que não está envolvida no terror para o extremismo, ao mesmo tempo que impede as FDI de combater o terror”.

Ao contrário, o sionista religioso Simcha Rothman, presidente de extrema-direita do Comité da Constituição do Knesset (Parlamento) e um dos principais defensores da reforma judicial em curso, preferiu desdramatizar os acontecimentos e disse compreender a revolta dos colonos.

Segundo a imprensa israelita, não foi feita nenhuma prisão depois dos acontecimentos protagonizados pelos colonos em Turmus Ayya – apesar de o jornal “Haaretz” ter avançado que os manifestantes chegaram mesmo a tentar incendiar uma escola e uma mesquita.

O Ministério da Saúde da Autoridade Palestiniana disse que um palestiniano foi morto e outros 12 ficaram feridos em Turmus Ayya durante o ataque dos colonos e o confronto com tropas e policiais israelitas.

Focos de sublevação com caráter de vingança pelas iniciativas dos colonos foram registados em vários locais da Cisjordânia – mas sem que, segundo os jornais israelitas, houvesse danos ou feridos e mortos a registar.

As tensões entre Israel e os palestinianos aumentaram desde o início do ano. A ‘contagem’ não para de crescer: desde janeiro, os ataques palestinianos em Israel e na Cisjordânia mataram 24 pessoas. Do outro lado, 132 palestinianos da Cisjordânia foram mortos durante o mesmo período.

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