Cinco pessoas ficaram feridas, uma delas com gravidade, num atropelamento perto do mercado Mahane Yehuda, em Jerusalém, na tarde desta segunda-feira. Um homem de 60 anos ficou em estado grave.
“Um cidadão que testemunhou o incidente e estava próximo do local disparou e neutralizou o terrorista, que foi declarado morto no local”, disse a polícia em comunicado – não parecendo haver qualquer dúvida que foi um ataque terrorista, pouco usado pelos palestinianos, mas não sendo a primeira vez.
Segundo a imprensa israelita, o condutor foi identificado como Khatem Najma, de 39 anos, pai de cinco filhos, do bairro de Beit Safafa, em Jerusalém Oriental. Não tinha evidência de ter praticado crimes contra a segurança, mas era conhecido por ter problemas de saúde mental.
O ataque ocorreu do lado de fora do shuk ao ar livre Mahane Yehuda, uma área popular normalmente com grande movimento.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também considerou o incidente de ataque terrorista. “Minutos antes, não muito longe daqui, houve outra tentativa de assassinato de cidadãos israelitas. Este ataque terrorista lembra que a terra de Israel e o Estado de Israel foram conseguidos através de muitas tribulações”, disse Netanyahu, citado pelas mesmas fontes.
O calendário é particularmente difícil: esta noite Israel marcará o Dia da Memória, em que recorda os militares caídos em combate; na terça-feira o país comemora o Dia da Independência, um período em que as emoções e as tensões geralmente aumentam entre israelitas e palestinianos. No ano passado, o Dia da Independência ficou marcado por um ataque na cidade de Elad, que deixou quatro mortos e vários feridos.
Este ano, está tudo um pouco pior: as tensões entre Israel e os palestinianos estão altas, com os militares israelitas a conduzirem várias intervenções na Cisjordânia nas últimas semanas.
Desde o início do ano, ataques palestinianos em Israel e na Cisjordânia deixaram 19 mortos, ao mesmo tempo que pelo menos 92 palestinianos foram mortos na mesma altura, a maioria durante ataques ou confrontos com forças de segurança israelitas.
Falando numa cerimónia que marca o Dia da Memória, no centro memorial Yad Lebanim, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pediu unidade aos israelitas. “Os nossos filhos e as nossas filhas continuam a carregar o fardo da responsabilidade pelo destino da nossa nação”, disse.
Os analistas não deixaram de considerar que este apelo à nação surge num quadro em que o governo de Netanyahu dividiu profundamente o país depois de ter proposto uma revisão do caráter independente do poder judicial face ao poder político.
A divisão é de tal ordem, que centenas de reservistas de elite do exército e da força aérea ameaçaram suspender a sua prontidão, provocando alertas da parte das autoridades de segurança.