Israel ataca Jenin na maior incursão na Cisjordânia em 20 anos

Pelo menos nove palestinianos foram mortos e dezenas feridos numa grande ofensiva aérea e terrestre – apesar dos repetidos pedidos de contenção por parte da comunidade internacional nas últimas semanas.

Israel ataca Jenin na maior incursão na Cisjordânia em 20 anos
Orçamento da defesa: 15,6 mil milhões de dólares

Apesar dos avisos e conselhos para que as forças de segurança israelitas tenham contenção, Israel lançou esta segunda-feira uma grande ofensiva aérea e terrestre na cidade de Jenin, na Cisjordânia, naquela que os analistas dizem ser a sua maior operação militar no território palestiniano nos últimos anos. Pelo menos nove palestinianos morreram e cerca de 50 ficaram feridos, dez com gravidade, de acordo com o Ministério da Saúde palestiniano.

Foram usados drones, uma brigada do exército israelita e franco-atiradores durante a operação que, segundo a imprensa israelita, foi previamente comunicada à Casa Branca. Um porta-voz do presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, disse que a operação é “um novo crime de guerra contra o povo indefeso”, enquanto o grupo radical do Hamas, que opera na Faixa de Gaza, pediu aos jovens da Cisjordânia que se juntem aos combates.

A operação foi descrita pelas tropas israelitas como uma operação de contraterrorismo. Em comunicado conjunto, as Forças de Defesa de Israel (IDF) e o serviço internos de inteligência (o Shin Bet), disseram ter atacado um centro de comando instalado no campo de refugiados de Jenin.

A operação, segundo a imprensa local, acabou por aproximar-se da mesquita local, com o exército israelita a afirmar que procurava “terroristas” que se haviam introduzido no seu anterior para disparar sobre os soldados.

A incursão em Jenin é a primeira desde a batalha de Jenin, em 2002, durante a segunda Intifada, quando mais de 50 palestinianos e 23 soldados israelitas foram mortos durante uma semana de combates. A região voltou a estar em foco há algumas semanas, depois de mais uma incursão do exército no campo de refugiados. Jenin e a vizinha Nablus têm sido os principais alvos da chamada ‘Operação Quebra-mar’, que já dura há mais de um ano. Os ataques de colonos israelitas da Cisjordânia contra aldeias palestinianas também estão a crescer em número e em escala.

Entretanto, vários países e a ONU manifestaram a sua preocupação pelo que parece ser uma escalada da violência entre israelitas e palestinianos. Irão, Egipto, Jordânia e a própria Liga Árabe mostraram o seu descontentamento.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Nasser Kanaani, condenou o ataque a Jenin, descrevendo-o como um “crime imprudente e terrorismo de Estado”, sublinhando que “a entidade sionista também será derrotada desta vez”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio condenou veementemente o ataque, apelando à intervenção de organismos internacionais para pôr fim à violência. Sinan al-Majali, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, disse que Israel “continua a violar o direito internacional” com estes contínuos ataques na Cisjordânia. Ao mesmo tempo, a Liga Árabe fala numa “brutal operação militar” com os palestinianos e pede a intervenção de organismos internacionais em defesa dos atacados.

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