Irão: Trump acusa petrolíferas de ganharem “dinheiro a mais” e exige redução de preços

"Não gosto disto. Estão a ganhar muito dinheiro. Aproveitando-se da escassez, estão a lucrar demasiado", disse o Presidente norte-americano aos jornalistas na Casa Branca.

Irão: Trump acusa petrolíferas de ganharem “dinheiro a mais” e exige redução de preços
epa12951612 US President Donald Trump speaks to the press before departing the White House for China, in Washington, DC, USA, 12 May 2026. President Trump is leaving the US to visit China where he will meet with President Xi in Beijing. EPA/BONNIE CASH / POOL

O presidente norte-americano, Donald Trump, acusou esta segunda-feira as petrolíferas dos Estados Unidos de ganharem “dinheiro a mais” e exigiu a descida dos preços, enquanto avisava o Irão que tem uma “última oportunidade” para alcançar um acordo de paz.

“Não gosto disto. Estão a ganhar muito dinheiro. Aproveitando-se da escassez, estão a lucrar demasiado”, disse o presidente norte-americano aos jornalistas na Casa Branca.

Afirmando ser “um forte defensor da livre iniciativa”, Trump citou a ExxonMobil e a Chevron como algumas das que mais lucraram com as consequências da guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o Irão, que fez disparar os preços dos bens petrolíferos.

“Quando se vê que uma empresa multiplicou por doze o que gerou no ano anterior, deve devolver parte desse lucro ao público”, insistiu o líder da Casa Branca, observando que as grandes petrolíferas “têm todos os incentivos para baixar os preços nas bombas de gasolina”.

A ExxonMobil anunciou que o seu lucro líquido duplicou no segundo trimestre de 2026, atingindo os 14,5 mil milhões de dólares (12,6 mil milhões de euros), enquanto a Chevron registou 12,1 mil milhões de dólares (10,1 mil milhões de euros), cinco vezes mais do que um ano antes.

No entanto, ambas as empresas evitaram associar o aumento de receitas ao conflito.

O diretor-geral da ExxonMobil justificou a subida dos preços dos combustíveis sobretudo com a falta de capacidade de refinação, alertando que os custos vão provavelmente manter-se elevados durante algum tempo.

A subida dos preços da energia tem sido o principal fator da inflação nos Estados Unidos desde o início do ano, e a perda de poder de compra é uma das principais preocupações dos norte-americanos a apenas três meses das eleições intercalares, marcadas para novembro.

O líder norte-americano alertou também o Irão que tem uma “última oportunidade” para assinar um “bom” acordo de paz, apesar de a diplomacia de Teerão negar a existência de negociações em curso com Washington, admitindo apenas contactos com Omã sobre garantias de segurança no estreito de Ormuz.

“Estamos a falar, e estamos a fazê-lo a pedido do Irão, com o apoio da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, bem como de outros países… Todos eles queriam dar a este processo uma última oportunidade. É a última oportunidade. É a última oportunidade do Irão para assinar um bom documento”, disse ainda Trump aos jornalistas na Sala Oval.

Se Teerão não o fizer, “não haverá mais oportunidades”, advertiu.

Anteriormente, o dirigente norte-americano tinha condicionado, através da rede Truth Social, o levantamento do bloqueio naval ao território iraniano a “um acordo” ou a “uma rendição total”.

Donald Trump criticou a atitude “incrivelmente hipócrita” da liderança iraniana pela sua recusa em confirmar que está em conversações de paz com Washington.

“Pedem uma reunião, alguns diriam ‘imploram’, as conversas começam e outras são agendadas para o futuro próximo. No entanto, declaram aberta e orgulhosamente que não estão a negociar nada, que nada está a ser discutido e que estão apenas a lidar com Omã”, lamentou.

Para o chefe de Estado norte-americano, Teerão está a recorrer “mais uma vez à sua retórica habitual, alegando que controlará firmemente o estreito de Ormuz, quando na realidade já está sob o controlo absoluto da Marinha dos Estados Unidos”, referindo-se ao bloqueio militar imposto pela República Islâmica à navegação comercial desde o início da guerra.

O líder da Casa Branca explicou que a primeira fase das negociações “consiste na abertura do estreito” e que a segunda fase tratará da desnuclearização da República Islâmica, o “que levará algum tempo”.

Em simultâneo, reiterou a “posição firme” de que os iranianos “não podem ter armas nucleares”.

Trump anunciou no domingo que Washington e Teerão retomariam hoje as conversações de paz, após terem ficado paralisadas durante a escalada das hostilidades nas últimas semanas.

Afirmou ainda que o próprio Irão pediu a interrupção do plano de novos ataques, que descreveu como “o maior desde a Segunda Guerra Mundial”.

No entanto, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, desmentiu hoje que a República Islâmica esteja em negociações com os Estados Unidos e que as questões relacionadas com Washington serão analisadas e decididas com base nos desenvolvimentos futuros.

Apesar de ambos os lados terem assinado um memorando de entendimento em 17 de junho para cessar os ataques militares e iniciarem um diálogo durante dois meses com vista a um acordo de paz definitivo, as ofensivas cruzadas recomeçaram.

O aumento da tensão levou Teerão a repor as restrições no estreito de Ormuz e Trump a ordenar o restabelecimento do bloqueio naval à costa iraniana.

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