O Instituto Nobel da Noruega cancelou a conferência de imprensa que costuma ser realizada com o vencedor do Prémio Nobel da Paz, este ano a venezuelana Maria Corina Machado, líder da oposição ao regime de Nicolás Maduro, antes da cerimónia de entrega do prémio, esta quarta-feira em Oslo.
Corina Machado, de 58 anos, está sujeita a uma proibição de viajar por dez anos imposta pelo governo de Maduro e está escondido em local desconhecido há mais de um ano. O instituto afirmou desconhecer o seu paradeiro. “Sei que Corina Machado quer vir e que está a caminho, mas só sei isso”, disse Kristian Berg Harpviken, diretor do instituto e secretário permanente do comité do prémio. Ainda não está claro se a premiada chegará a Oslo a tempo da cerimônia, acrescentou. “Vamos garantir que seja uma cerimónia digna, que reconheça a laureado deste ano, destacando a situação na Venezuela e a importância da democracia para a paz”, afirmou ainda em declarações públicas citadas pela imprensa.
A cerimónia de entrega do prémio está marcada para esta quarta-feira, às 12 horas de Lisboa na Câmara de Oslo, na presença do rei Harald, da rainha Sonja e de pelo menos quatro chefes de Estado latino-americanos, incluindo Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador. A tradicional conferência de imprensa estava inicialmente agendada para esta terça-feira, em Oslo, mas foi adiada. A própria laureada “já declarou em entrevistas o quão desafiadora será a viagem até Oslo, na Noruega”, afirmou o Instituto Nobel em comunicado.
Ao receber a notícia do prémio, em outubro, Machado dedicou-o em parte ao presidente norte-americano Donald Trump.
Engenheira industrial, Corina Machado foi impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024, apesar de ter vencido as primárias da oposição com uma vitória esmagadora. Entrou na clandestinidade em agosto de 2024, depois de as autoridades aumentarem as prisões de figuras da oposição após a votação, que foi internamente contestada e externamente não-reconhecida por vários países.
A autoridade eleitoral e o Supremo Tribunal declararam Maduro o vencedor, mas observadores internacionais e a oposição afirmam que o candidato oposicionista venceu por larga margem.