A inovação tem sido uma constante na história da humanidade. No entanto, desde o início deste século, assistimos a uma maior aceleração quer no desenvolvimento de novos produtos e serviços, quer no respectivo grau de adopção por parte do mercado, ou seja, pelos consumidores e empresas.
A globalização desempenhou nesta matéria um papel fundamental resultando numa forte intensificação da concorrência em virtude do desaparecimento dos mercados locais. Como consequência desta nova realidade, verificou-se, uma necessidade de maior aposta pelas empresas na inovação (mais investimento), como caminho para a diferenciação e criação de maior valor acrescentado nos seus produtos e serviços.
A estratégia das empresas passou, assim, por investirem no desenvolvimento de novos produtos e serviços, bem como na modernização dos processos produtivos e na formação contínua dos colaboradores na expectativa de se manterem competitivas e de obterem retornos superiores. Em todos os investimentos está, naturalmente, associado um determinado nível de incerteza pelo que, investir em inovação também implica assumir determinados riscos.
De entre os riscos associados ao investimento em inovação destacaria:
- O produto/serviço não ser bem recebido pelo mercado, resultando num impacto negativo nas vendas;
- A concorrência desenvolver rapidamente um produto/serviço idêntico (a um custo inferior) ou de maior valor acrescentado;
- O investimento associado colocar em causa a capacidade financeira da empresa;
- A empresa não deter a capacidade de implementar a inovação, nomeadamente ao nível de infra-estructura e dos seus recursos humanos;
- A incerteza associada à duração de um processo de inovação;
Por outro lado, não inovar acarreta também diversos riscos, nomeadamente:
- Os produtos/serviços tornarem-se rapidamente obsoletos com impacto negativo relevante nas vendas;
- A perda de competitividade da empresa ao nível dos custos de produção;
- O impacto negativo na imagem e produtos/serviços da empresa;
- Maiores dificuldades de financiamento junto de investidores/banca;
- Dificuldade de retenção de recursos humanos;
É assim muito relevante para a estratégia de qualquer empresa que se pretenda manter competitiva e activa no mercado, a constante avaliação dos riscos associados aos processos de inovação, independentemente do sector de actividade em que se insere.
Nos últimos anos, assistimos ao aparecimento de empresas com produtos/serviços altamente inovadores e causadores de verdadeiras disrupções nos mercados em que actuam, colocando em causa modelos de negócio e tornando obsoletos, rapidamente, diversos produtos e serviços. São exemplos disso os casos da Uber, da Netflix, da Revolut, da Spotify, da Shopify, da AirBnB e de outras. São empresas que pela sua elevada capacidade de inovação vieram alterar os comportamentos dos consumidores, em sectores tão diversos como a mobilidade, a televisão, a banca, a música, o retalho e a habitação.
Esta é, aliás, uma tendência que se irá intensificar ainda mais, acompanhando os elevados investimentos que têm vindo a ser canalizados dos fundos de Venture Capital para startups de base tecnológica e inovadoras. Tecnologias como blockchain, criptomoedas, inteligência artificial, NFT (non-fungible tokens), carros autónomos, e outras, são atualmente já alvo de investimentos massivos por parte de grandes empresas mundiais, dos mais variados sectores de atividade, o que irá criar desafios adicionais às empresas mais “tradicionais”, com maior necessidade de se adaptarem a um mundo em constante inovação.
Nas várias edições da Web Summit temos assistido a um interesse cada vez maior da parte de empreendedores e investidores nestes sectores, o que nos tem levado a ter palcos com foco exclusivo em robótica, inteligência artificial, automóvel, ou criptomoedas.
Esta situação tem levado as empresas tradicionais a investirem no estabelecimento de cada vez mais parcerias com startups (ou, em algumas situações, adquirindo-as) no sentido de incorporar as respectivas inovações tecnológicas nos processos produtivos, de gestão ou nos produtos/serviços e, desta forma, manterem-se competitivas e inovadoras. Isto porque, tornou-se claro para o mundo empresarial que a agilidade, velocidade, capacidade e cultura de inovação das startups é ímpar e difícil de manter à medida que as empresas vão crescendo.
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.