Infraestruturas de Portugal com lucros de 48 milhões em 2022 mais do que triplica face a 2021

Para compensar o efeito causado pelo aumento dos gastos operacionais, a IP destaca o contributo da melhoria conseguida ao nível dos resultados financeiros.

Infraestruturas de Portugal com lucros de 48 milhões em 2022 mais do que triplica face a 2021
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A Infraestruturas de Portugal (IP) registou em 2022 um resultado líquido positivo de 48 milhões de euros, o que representa uma melhoria de 34 milhões face ao lucro de 14 milhões em 2021 (+243%). O EBITDA atingiu os 507 milhões verificando-se um acréscimo de 2% face ao valor de 497 milhões registado no período homólogo de 2021.

A empresa pública que gere e administra as infraestruturas ferroviárias e rodoviárias em Portugal, disse ainda que os rendimentos operacionais apresentaram um crescimento de 6% tendo atingido os 1.313 milhões de euros, enquanto os gastos operacionais, excluindo amortizações e depreciações, apresentaram um crescimento de 9%, ou mais 68 milhões de euros, fixando-se em 806 milhões. “Para tal contribuíram, particularmente, os gastos com conservação e manutenção na rede rodoferroviária e os gastos com eletricidade”; revela a empresa.

Para compensar o efeito causado pelo aumento dos gastos operacionais, a IP destaca o contributo da melhoria conseguida ao nível dos resultados financeiros.

“Em 2022 manteve-se o enfoque em assegurar adequados níveis de serviço e qualidade das redes rodo e ferroviária, apesar das naturais perturbações decorrentes do elevado nível de investimento em curso, traduzido no aumento das atividades de conservação e manutenção, o que se refletiu no aumento dos respetivos gastos que ascenderam a 200 milhões, 5% acima do nível registado em 2021”, avança a empresa em comunicado ao mercado.

Por outro lado, o surgimento da crise geopolítica na Europa desencadeada pelo conflito na Ucrânia “fez-se sentir de forma mais expressiva na IP ao nível do custo da energia, designadamente nos gastos com eletricidade. Com efeito, esta rubrica atingiu os 33 milhões, o que representou um aumento de 19 milhões de euros (+131%) face ao ano anterior.

No entanto, no âmbito da operação ferroviária, cerca de 10 milhões foram objeto de re-faturação de energia de tração aos operadores ferroviários, detalha a IP.

“Com especial relevo, destaca-se o nível de execução do investimento nas infraestruturas rodoferroviárias que, em 2022, ascendeu a 466 milhões o que representa não só um aumento de 72% face ao período homólogo de 2021, mas também o nível mais alto de investimento realizado desde 2010”, acrescenta a empresa.

Desenvolvimento do programa Ferrovia 2020, com uma execução no montante de 348 milhões

A IP destaca a fase de pleno desenvolvimento do programa Ferrovia 2020, que está com uma execução no montante de 348 milhões de euros, “evidenciando-se os corredores com maior realização no ano”. A IP refere-se ao corredor internacional sul com uma execução de 158 milhões; ao corredor internacional norte com uma execução de 102 milhões; e ao corredor Norte-Sul com uma execução de 51 milhões de euros.

No ano passado a execução do Programa Nacional Investimentos 2030 (PNI2030) “centrou-se essencialmente na componente ferroviária, maioritariamente, no desenvolvimento de estudos e projetos, como sejam os relativos à Nova Linha de Alta Velocidade Porto – Lisboa”.

A execução financeira do PNI2030 em 2022 ascendeu a 10,5 milhões.

Ao nível da rodovia, a IP destaca “o início da fase de obra, após os trabalhos preparatórios, dos investimentos na rede rodoviária abrangidos pelo Plano de Recuperação e Resiliência, tendo sido dado cumprimento atempado às metas e marcos subjacentes aos investimentos contratualizados e cuja execução financeira atingiu, em 2022, os 17 milhões de euros”.

O resultado financeiro “manteve a trajetória de desagravamento com uma variação positiva de 29 milhões face a 2021, fixando-se em -191 milhões de euros”.

Esta evolução teve como principais contributos, segundo a empresa, a  redução de 22 milhões dos encargos financeiros associados à redução do stock de dívida sob gestão direta da IP, a que acresce a redução do impacto da componente dos juros afetos às subconcessões em 10 milhões, “em virtude da descida do passivo associado”.

“Em 2022 assistiu-se à redução do stock de dívida financeira da IP em 129 milhões, fixando-se este agregado no final de dezembro de 2022 em 4.016 milhões de euros. As amortizações realizadas respeitaram às amortizações dos empréstimos contraídos junto do Banco Europeu de Investimento (129 milhões)”, lê-se no comunicado.

“A 31 de dezembro de 2022, a carteira de dívida encontrava-se repartida, de acordo com o regime de taxa de juro, em 95% a taxa fixa e 5% a taxa variável, refletindo o nível elevado de imunização da carteira a conjunturas de subida das taxas de juro do euro como a que se tem verificado desde o primeiro semestre de 2022”, adianta a IP.

A empresa destaca ainda a manutenção da política de financiamento prosseguida pelo acionista de reforço dos capitais próprios da Empresa através de operações de aumento de capital que, em 2022, ascenderam a 1.282 milhões, e que se mantém “alinhada com o ciclo de forte investimento em que a IP se encontra”.

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