Inflação do Japão fixa-se em 4,2% no início do ano e atinge máximo de 41 anos

O próximo governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, lembrou que a política monetária vai continuar flexível. No parlamento japonês, Ueda reconheceu que a inflação está a exercer muita pressão na política do país e sustentou que a flexibilidade permite evitar uma recessão.

Inflação do Japão fixa-se em 4,2% no início do ano e atinge máximo de 41 anos
8 - Japão (765,2 toneladas)

O índice de preços no consumidor (IPC) japonês subiu para máximos de 41 anos, com a inflação a subir para 4,2% no mês de janeiro. Este aumento foi sentido devido ao incremento do preço da energia e das matérias-primas, indica o “El Economista”.

A publicação espanhola cita dados do Ministério do Interior e Comunicações do Japão, notando que se trata do 17º mês de aumento da inflação consecutivo, excluindo o preço dos alimentos frescos devido à volatilidade. O “El Economista” nota que este é o maior aumento de preços no país desde dezembro de 1981, quando a inflação subiu para 4,3%.

O acréscimo de 4,2% é precedido pelo aumento de 4% em dezembro e de 3,7% em novembro. Assim, a inflação mantêm-se acima dos 2% perspectivados pelo Banco do Japão. Quando comparado com dezembro, a inflação cresceu 0,2% em janeiro.

O próximo governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, lembrou que a política monetária vai continuar flexível. No parlamento japonês, Ueda reconheceu que a inflação está a exercer muita pressão na política do país e sustentou que a flexibilidade permite evitar uma recessão.

“Considero a política atual do BoJ adequada”, apontou Ueda, acreditando que as medidas atuais são necessárias para que a inflação seja “sustentável e estável” à volta dos 2%. O próximo governador notou que as políticas flexíveis incluem taxas de juros negativas (-0,1%), sendo que incluem efeitos colaterais, mas que as mesmas são necessárias para atingir os objetivos do Banco do Japão.

“As declarações que Kazuo Ueda efetuou hoje no Parlamento do Japão estavam a ser aguardadas com grande expectativa, pois a evolução da política monetária na terceira maior economia do mundo pode ser decisiva para a evolução dos mercados globais em 2023. As famílias e empresas japonesas têm um elevado volume de poupanças em ativos estrangeiros, sendo que uma alteração abrupta na política monetária poderá gerar um elevado fluxo de repatriamento de capitais, que representará um choque nos mercados globais, sobretudo nas obrigações”, indica o BA&N Research Unit.

“O próximo governador do Banco do Japão vincou hoje que os juros do Japão, para já, devem continuar em mínimos históricos e em terreno negativo, uma vez que a inflação está a ser impulsionada pelos preços dos produtos importados e não por um aumento da procura interna, uma vez que a economia persiste com um crescimento fraco. As declarações de Ueda foram proferidas no dia em que foi divulgado que a inflação core no Japão subiu para um máximo de 41 anos (4,2%) e afastam os receios de uma normalização acelerada da política monetária no país”, conclui a entidade.

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