Imagens que convocam o mito do cavalo mongol

A objetiva de Wang Zhengping traz a Lisboa a energia vital do cavalo mongol, símbolo de resistência da cultura das estepes.

Imagens que convocam o mito do cavalo mongol
Wang Zhengping_Mongolian Horse in North Wind_final

Para compreender a alma mongol, é preciso entender o cavalo. Desde os tempos do imperador Gengis Khan, no século XIII, que foram decisivos para a transformação de tribos nómadas num dos maiores impérios territoriais já conhecidos.
A sua importância não é só cultural, mas também linguística. São mais de 300 as palavras existentes para designar ‘cavalo’. E, mais do que um passatempo, a equitação é uma forma de estar. Nas áreas rurais, as crianças aprendem a montar entre os 3 e 5 anos de idade e participam em competições a partir dos 6 anos, em particular por ocasião do Naadam, o grande festival cultural da Mongólia.

Símbolo de força, resistência e liberdade, o cavalo mongol tem sido, também, o protagonista das fotografias de Wang Zhengping. Uma seleção de imagens pode agora ser vista, até 4 de julho, na Ochre Space, em Lisboa. Espaço dedicado à fotografia contemporânea e à videoarte, que mantém fortes ligações com a fotografia chinesa e japonesa.

O Ano do Cavalo

“O Cavalo da Mongólia Interior”. Assim se intitula a primeira de três exposições que a Ochre Space dedica ao Ano Chinês do Cavalo. Por ocasião da inauguração, Wang Zhengping, explicou ao JEque os cavalos “não surgem apenas como sujeitos fotográficos, mas como símbolos de resistência, liberdade e continuidade cultural” nas paisagens deste país asiático. Selecionadas a partir do aclamado livro “Mongolian Horse in North Wind”, publicado em Pequim em 2024, as fotografias expostas revelam o trabalho de observação e de aproximação do fotógrafo a este animal emblemático das estepes mongóis.

Zhengping fala de longos momentos de silêncio, na companhia da sua inseparável Fujifilm de médio formato. Dia e noite, por vezes com temperaturas a rondar os 40 graus negativos. Muito raramente usa o telemóvel para fotografar. Mas, por vezes, troca a Fuji por uma Leica MM e, mais raramente, por uma Ricoh GR.

Para Wang Zhengping, a fotografia divide-se em duas categorias. “A fotografia figurativa: documental, direta. E a fotografia imagética: poética, sugestiva e até abstrata.” É a dimensão poética que o atrai. O curador da exposição, João Miguel Barros, corrobora. “Das cenas de galopes coletivos, onde a energia cinética dos animais parece transbordar para fora do enquadramento, aos retratos silenciosos de cavalos solitários contra a vastidão da estepe coberta de neve, cada imagem é, simultaneamente, um documento e uma visão, um registo e uma transfiguração.”

A exposição é composta por 33 fotografias e dois vídeos, que revelam as comunidades mongóis e o processo de trabalho do fotógrafo. Em paralelo, o Centro Científico e Cultural de Macau, e a Escola Portuguesa de Arte Equestre, em Lisboa, exibem trabalhos de Zhengping, cuja obra, diz o curador, é “muito singular no panorama da fotografia contemporânea chinesa.”

O Cavalo da Inner Mongólia, Ochre Space | Lisboa | até 4 de julho | 4ªf a sáb. 15h – 18h30

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