Ilídio Pinho: um legado construído através de décadas de “visão, dedicação e serviço à sociedade”

O empresário Ilídio Pinho, feito Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica, disse, esta sexta-feira que "as ideias inovadoras não devem, nem podem morrer" e defendeu que num mundo em convulsão e numa Europa em crise, Portugal tem futuro. João Pinto, diretor da CPBS, que na qualidade de padrinho lhe fez o elogio, afirmou: “É uma figura que transcende o sucesso empresarial".

Ilídio Pinho: um legado construído através de décadas de “visão, dedicação e serviço à sociedade”
Ilídio Pinho reitora UCP e diretor CPBS Foto DR

Ilídio da Costa Leite de Pinho, de 86 anos, foi esta sexta-feira agraciado com o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade Católica Portuguesa.

Na preleção, após a imposição das insígnias e recebimento da carta doutoral, Ilídio Pinho lembrou o papel fundamental da Igreja Católica na educação e na cultura em Portugal. “Mesmo nos períodos mais conturbados com relações difíceis entre a Igreja e o Estado houve sempre nas duas instituições pessoas capazes de construir pontes e fazer a paz que trouxe progresso e modernidade”, afirmou, apontando como exemplo o seu amigo, Mário Soares, republicano, socialista, que em plena Revolução do 25 de Abril de 1974, encontrou interlocutor no Cardeal D. António Ribeiro, tendo sido dadas garantias de que a Igreja Católica “não seria hostilizada ou perseguida como foi na Primeira República”. 

A colaboração de Ilídio Pinho com a Universidade Católica Portuguesa vem desde esse tempo, quando “foi preciso resistir e aproveitar a crise para criar oportunidades”. Para ele a grande oportunidade chama-se COLEP Portugal – Embalagens, Produtos, Enchimentos e Equipamentos, acrónimo dos seus sobrenomes – Costa Leite de Pinho, empresa que fundou em 1964 e rapidamente se tornou “líder pela inovação e excelência”, como salientou  João Pinto, diretor da Católica Porto Business School, que na qualidade de padrinho lhe fez o elogio.

“Tornei-me um empresário global quando comecei a receber propostas de cooperação por parte de empresas multinacionais que receavam investir no nosso país”, contou Ilídio Pinho, explicando o que realmente tornou isso possível.  

“Portugal  no 25 de Abril e no período do PREC (Processo Revolucionário em Curso) passou a ser considerado um país de alto risco e muitas multinacionais proibiram as suas delegações de investir em Portugal. A solução foi encontrar na minha empresa, a COLEP, o parceiro estratégico para assumir os seus investimentos e lhes fornecer os seus produtos com alta e confidencial tecnologia para não perder mercado. Aceitei assumir riscos, transformando a COLEP numa empresa multiserviços, contornando a cadeia de valor em parceria com multinacionais possuidoras de tecnologia nossa desconhecida”.

O empresário considerou depois que este exemplo na forma de contornar a cadeia de valor poderia ser aplicado estrategicamente à economia portuguesa, afirmando categórico: “As ideias inovadoras não devem nem podem morrer”. E há lições que podem ser aprendidas. “Com o mundo em convulsão e a Europa em crise, tenho mesmo esperança, mas tenho mesmo, mais do que nunca em Portugal. A nossa geografia e a nossa história permitem-me dizer que o futuro está aqui.”

Confessou que pela sua parte vai continuar a trabalhar. “Já disse que não me reformo nem mesmo depois de morrer, porque o que faça tem que perdurar  para além de mim próprio – as empresas, a Fundação, a coleção de arte”.

Além da COLEP, Ilídio Pinho fundou a Ilídio Pinho Holding e a Fomentinvest e assumiu cargos de relevo em empresas de diversos sectores, desde o metalúrgico, segurador ou bancário. Também lançou a Fundação Ilídio Pinho que se destaca por iniciativas como a “Ciência na Escola” – em que já participaram mais de meio milhão de alunos e professores – bem como de apoio à cultura e arte e o notável “Grande Prémio Fundação Ilídio Pinho – Portugalidade”.

Na cerimónia de ontem lembrou várias vezes o seu filho Ilídio Pedro, desaparecido prematuramente, num acidente, em memória de quem criou a Fundação Ilídio Pinho e financiou o Grande Auditório da Universidade Católica no Porto. Também fez vários agradecimentos. Um fortemente aplaudido pelo auditório foi a António Ramalho Eanes, o General e Presidente, vencedor este ano do Prémio da Fundação Ilídio Pinho, de quem afirmou – “Deixem que vos diga é o pai da democracia em Portugal”. 

João Pinto, diretor da Católica Porto Business School, disse no elogio ao novo doutor: “Hoje reunimo-nos não apenas para celebrar um homem, mas um legado que se constrói através de décadas de visão, de dedicação e de serviço à sociedade (…) O engenheiro Ilídio Pinho é uma figura que transcende o sucesso empresarial  – é o exemplo de como a liderança quando aliada a valores humanistas pode transformar vidas e comunidades. Mais é um patriota, um verdadeiro ativo de Portugal e da Portugalidade”.

Nascido em Vale de Cambra a 19 de dezembro de 1938, numa família de pequenos empresários, “numa época marcada por dificuldades mas também por uma forte vontade de progresso”, como a traçou João Pinto, “Ilídio Pinho demonstrou, desde cedo, uma curiosidade invulgar e uma paixão pela resolução de problemas”. Estudou Engenharia, Eletrotécnica e Máquinas no Instituto Industrial do Porto, hoje conhecido por Instituto Superior de Engenharia do Porto. Do pai, salientou o professor, “aprendeu que o sucesso não se mede apenas mas pelo dinheiro ou pelo poder, mas pelo impacto positivo que se tem na vida dos outros”.

Sobre Ilídio Pinho, muito mais disse João Pinto, o que levou o laureado a confessar: “Obrigada professor João Pinto pela lição que me deu de mim próprio, sobre a minha forma de gerir as empresas. Aprendi muito sobre mim com o seu elogia académico. Eu sabia o que sabia, agora sei porque o sabia”.

A propósito lembrou outro seu amigo, Júlio Pomar, que à sua forma de gerir aplicava o lema de Leonardo Da Vinci –  “obstinado rigor”.  Admitiu: “É verdade, assim foi toda a minha vida e espero que vá assim até ao fim. Vale a pena aplicar a nossa vida profissional a essa exigência, como o demonstra o amigo Vasco de Mello com quem partilha a distinção e a cerimónia”. 

A cerimónia decorreu no Auditório Cardeal Medeiros, em Lisboa,  presidida pelo Magno Chanceler da Católica, D. Rui Valério, e nela intervieram a reitora, Isabel Capeloa Gil, e Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação. No seu Dia Nacional, a Universidade Católica Portuguesa concedeu também o doutoramento Honoris Causa ao empresário Vasco de Mello.

Relacionado

Portugal tem pela primeira vez seis mestrados em Finanças nos 70 melhores do mundo

Portugal tem pela primeira vez seis mestrados em Finanças nos 70 melhores do mundo

Almerinda Romeira15 Jun
Portugal destaca-se no Financial Times Masters in Finance 2026 com seis programas: NOVA SBE, Universidade Católica em Lisboa e no Porto, ISEG, Faculdade de Economia do Porto e Iscte. Os resultados divulgados esta segunda-feira, 15 de junho, assinalam a estreia do MSc in Finance da Iscte Business School neste campeonato, onde o Mestrado Internacional em Finanças da Nova SBE é oitavo.
A explosão da formação executiva em Portugal

A explosão da formação executiva em Portugal

Almerinda Romeira13 Jun
O paradigma de aprendizagem ao longo da vida e a necessidade de requalificar a força de trabalho tornaram a formação indispensável. A academia agarrou a oportunidade e já colhe frutos. O ano de 2026 fica para a história como aquele em que pela primeira vez seis escolas de formação de executivos figuram no top 100 mundial dos Programas Customizados e dos Programas Abertos. Um feito. Mas há mais protagonistas.