A Sonagi SGPS registou em 2023 um prejuízos de 1,67 milhões de euros, ainda assim melhorou face a 2022 quando teve 31,2 milhões de prejuízos.
A Sonagi é uma holding imobiliária com actividade nas áreas de investimento, gestão de activos e promoção imobiliária, que tem como acionista de referência a Sodim, holding da família Queiroz Pereira.
Na próxima Assembleia de acionistas a Sonagi propõe “que o resultado negativo, com que encerra o exercício de 1.667.635,82 euros (um milhão seiscentos e sessenta e sete mil, seiscentos e trinta cinco euros e oitenta e dois cêntimos) seja distribuído para resultados transitados”.
O Conselho de Administração da holding imobiliária do grupo Semapa é liderado por Vítor Paranhos Pereira; por Mafalda Queiroz Pereira; por João Estêvão e por Rui Ramos Gouveia.
A Sonagi SGPS resultou de uma operação de reestruturação da antiga Sonagi – Sociedade Nacional de Investimento, constituída em 2 de abril de 1968, tem por objeto social a gestão de participações noutras sociedades nomeadamente na Sonagi Imobiliária, e da Santipar –
Projectos Imobiliários.
O Conselho de Administração propõe ainda à AG que “(…) após a distribuição do resultado do exercício” seja feita a “transferência de outras reservas e outras variações de capital próprio, no montante de 29.738.432,90 euros [29,7 milhões] e 2.923.672,77 euros [2,9 milhões], respetivamente, para a conta de lucros retidos de exercícios anteriores, a fim de cobrir resultados transitados negativos. (…)”.
No relatório e contas publicado no site da CMVM, é dito que “em 29 de junho de 2023 foi concretizada a venda à Sodim SGPS da totalidade da participação social detida pela subsidiária Sonagi Imobiliária na Sodim, correspondente a 355.800 ações representativas e 13,00% do respetivo capital social, pelo preço de duzentos euros por cada ação Sodim. Com esta operação,
a Sonagi SGPS passa a deter, indiretamente, unicamente ativos imobiliários, deixando de ter participações em sociedades com uma atividade distinta da sua”.
No enquadramento do sector, a holding justifica que, de acordo com a Worx, o volume de investimento imobiliário comercial em Portugal registou uma quebra de 45% face a 2022, fixando-se em 1.606 milhões de euros. “Esta redução, transversal a todos os mercados europeus e que reflete as condições mais restritivas de acesso financiamento, foi mais expressiva no investimento estrangeiro, que passou de 70% para 42% do volume de investimento. Os países estrangeiros com maior peso foram os EUA (16%), Suíça (6%), França (5%) e Reino Unido (5%)”, lê-se no relatório.
A Sonagi diz ainda que “os sectores hoteleiros (40%), de retalho (35%) e dos ativos alternativos (16%) foram os mais dinâmicos, enquanto os sectores de logística (3%) de escritórios (11%) sofreram uma acentuada queda. No caso particular do sector e escritórios, o volume de investimento (177 milhões de Euros) foi o mais baixo desde 2013”.
“As prime yields de escritórios sofreram uma descompressão de 50 a 125 p.b, em linha com as Obrigações do Tesouro e o aumento das taxas de juro. Na região de Lisboa, as prime yields de escritórios variaram entre 5,25% (Prime Central Business District) e os 7,00% (corredor Oeste). No sector de retalho fixaram-se entre 5,0% (comércio de rua, em Lisboa) e os 8,50% (Centros Comerciais em localizações secundárias). Na logística subiram de 5,50% para 6,50%”, lê-se no relatório.
Por outro lado o mercado de arrendamento de escritórios em Lisboa transacionou um total de 112.474 m2, menos 59% do que no ano anterior.
“A taxa de desocupação agravou-se 0,13 p.p., fixando-se nos 9,3%. As áreas médias arrendadas foram inferiores às registadas 2022, destacando-se apenas 3 operações com área superior a 3.000m2. No que diz respeito às rendas prime, verificou-se uma subida nas zonas centrais de Lisboa (PCBD, CBD, zonas emergentes) e a manutenção dos valores nas restantes zonas”, acrescenta o documento.
As previsões para 2024 “apontam para um crescimento médio semelhante ao de 2023, em que as assimetrias sectoriais e regionais se mantêm, com uma performance pior no primeiro semestre e uma recuperação no segundo semestre”, prevê a empresa que lembra que em 2024 a economia portuguesa deverá desacelerar por efeito dos juros e arrefecimento da economia mundial.
“Do ponto de vista operacional espera-se para a Sonagi que os proveitos das rendas se mantenham estáveis”, refere a empresa que acrescenta que “por outro lado, é previsível que a descompressão das yields se venha a refletir na revisão em baixa do valor dos imóveis, uma vez que nem sempre será compensada pela subida das respetivas rendas potenciais”.