Guerra no Irão. “Todas as indústrias estão expostas”, avisa Rafael Campos Pereira

O representante dos metalúrgicos e vice-presidente da CIP está apreensivo, embora acredite que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão possa “não durar muito”.

Guerra no Irão. “Todas as indústrias estão expostas”, avisa Rafael Campos Pereira
Metalurgia

Numa altura em que o petróleo chgou a ultrapassar os 100 dólares por barril — a primeira vez desde o verão de 2022 — e o gás atinge níveis máximos desde o início de 2003, o Qatar avisa que os países do Golfo podem suspender a produção de gás e petróleo nos próximos dias, tornando a ameaça de inflação cada vez mais séria. Em Portugal, vários setores podem sentir o impacto, sublinha Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP – Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal.

“Todas as indústrias estão, de forma transversal, expostas às consequências negativas da inflação”, afirma o responsável ao Jornal Económico. “Também no setor metalúrgico e metalomecânico isso acontece transversalmente a todos os setores. Há alguns que estão mais estruturados e têm, se calhar, menos riscos. Mas diria que é transversal, e o risco de inflação pode afetar todo o nosso setor”.

“Continuamos apreensivos”, acrescenta Rafael Campos Pereira, embora “sempre com uma perspectiva positiva sobre as coisas”. Neste caso, o também vice-presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) acredita que “isto tem condições para não durar muito”, uma vez que “a relação de forças parece bastante desigual neste momento”.

O presidente da AIMMAP entende ainda que “alguma coisa deve ser pensada” em Portugal para mitigar riscos geopolíticos como este, mas que não deve passar pelo PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, porque “já está em andamento” e “a questão não deve ser misturada”.

“Temos de ter uma política mais estruturada de defesa e segurança e investir nessa área, mas também na prevenção do que existe a jusante e a montante, e nos efeitos que isso pode ter na economia. E, portanto, isso deve fazer parte de um plano estratégico muito maior e muito mais vasto que não agora este [PTRR], que serve para reagir às tragédias da zona de Leiria e de outras zonas no centro do país”, acrescenta. O atual plano de investimento para a defesa “serve”, clarifica Rafael Campos Pereira, mas “terá de ser ajustado nesse sentido”.

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