O atual ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, prestou esclarecimentos, esta terça-feira, no Parlamento, durante um debate de urgência requerido pelo Chega, sobre suspeitas de corrupção no Ministério da Defesa Nacional, enquanto tutelava o mesmo.
Cravinho foi questionado tanto pelo Bloco de Esquerda, como pelo Chega, sobre se teria autorizado acréscimo de despesa às obras no hospital militar de Belém.
“Se eu autorizei algum acréscimo de despesa para além dos 750 mil euros? A resposta é não, não autorizei, nem me foi solicitado que o fizesse”, respondeu o antigo ministro da Defesa.
Noutra intervenção, sobre as suspeitas de corrupção no Ministério da Defesa Nacional, Cravinho sublinhou que a “matéria está a ser devidamente investigada porque” quando esteve “no Ministério da Defesa Nacional fez o que se exige a que tem responsabilidades públicas em cada momento com base na informação disponível”.
O governante considerou que em relação às suspeitas de corrupção no Ministério da Defesa Nacional “temos assistido a algumas fabulações”.
Como tal, decidiu esclarecer o que se passou: “No início da pandemia, em apoio ao Ministério da Saúde, dei instruções para obras no antigo hospital militar de Belém. Em junho e julho de 2020 o então secretário adjunto da Defesa procurou no âmbito das suas funções receber informações sobre os custos dos procedimentos relacionados” com a obra.
Depois, a 22 de julho, o então secretário adjunto da Defesa “enviou a informação resumida sugerindo que enviasse a matéria à Inspeção Geral de Defesa Nacional”. “Foi o que fiz no dia seguinte”, sublinhou.
Na sequência deste despacho, Gomes Cravinho contou que foram identificados “um conjunto de inconformidades legais e fez diversas propostas”. Uma das recomendações era a de que “a auditoria fosse enviada ao Tribunal de Contas”. “Aceitei e agi em conformidade”, reforçou.
Outra das sugestões prendia-se com a elaboração de um despacho de regularização, algo que Cravinho rejeitou por preferir “aguardar pelo Tribunal de Contas”.
Cravinho também explicou que “entretanto o diretor da Defesa Nacional estava no final do seu mandato e considerando as dúvidas existentes, entendi não o reconduzir para o mesmo cargo”, ainda assim “tendo em conta a sua experiência e sem que houvesse suspeita dolosa considerei adequada a sua nomeação para uma empresa da indústria de Defesa”.