Três semanas depois do início da guerra e de um cerco apertado à Faixa de Gaza, a ordem civil dá mostras de começar a ruir. A Associated Press noticia este domingo, 29 de outubro, que milhares de pessoas invadiram armazéns de ajuda humanitária da ONU para levar alimentos e “artigos básicos de sobrevivência”.
A agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos, conhecida pela sigla UNRWA, presta serviços básicos e centenas de milhares de pessoas na Faixa de Gaza governada pelo Hamas. As suas escolas espalhadas pelo território foram transformadas em abrigos sobrelotados.
António Guterres, secretário-geral da ONU, lamentou que Israel tenha “intensificado as suas operações” na região, confessando-se alarmado com a situação “cada vez mais desesperada”.
No Vaticano, o Papa lançou hoje um apelo veemente a um cessar-fogo e rezou pelos mortos que não páram de aumentar, embora seja impossível determinar o número real. “O balanço de mortos na sequência da agressão israelita ultrapassa os 8.000, dos quais a maioria são crianças”, indicou o Ministério da saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, à AFP no sábado à noite. O último balanço divulgado, no sábado de manhã, dava conta de 7.703 mortos e 18.967 feridos.
No terreno, decorre a segunda fase da investida israelita. Já este domingo, 29 de outubro, o Exército disse ter atingido mais de 450 alvos militantes nas últimas 24 horas, incluindo centros de comando do Hamas, postos de observação e posições de lançamento de mísseis antitanque. O porta voz militar de Israel anunciou ainda que o Exército aumentou o número das suas tropas na Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu afirmou, ontem, em conferência de imprensa transmitida pela televisão, que Israel está determinado nos seus objetivos: “Esta é a segunda fase da guerra, cujos objetivos são claros: destruir as capacidades militares e governamentais do Hamas e trazer os reféns para casa”, afirmou.
A resposta de Teerão não se fez esperar. Já hoje, Ebrahim Raissi, presidente do Irão, país mentor e apoiante do Hamas, disse que Israel ultrapassou as “linhas vermelhas” ao intensificar a ofensiva contra o Hamas em Gaza, o que, adiantou, poderá levar outras partes a “tomar medidas”.
O Hamas, que detém o poder na Faixa de Gaza desde 2007, lançou em 07 de outubro um ataque surpresa contra o sul de Israel com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados, matando indiscriminadamente e fazendo reféns entre crianças, mulheres e homens num número que Israel situou, esta sexta-feira, em 233.
Em resposta, Israel declarou guerra ao Hamas, que é classificado como terrorista pela União Europeia e Estados Unidos. Israel começou a bombardear várias infraestruturas do grupo na Faixa de Gaza e impôs um cerco total ao território com corte de abastecimento de água, combustível e eletricidade, depois avançou por terra.