Viajar está na moda. Este é um facto constatado ainda antes da pandemia, que forçou paragens, mas que está a surgir novamente em força. Um novo estudo da McKinsey & Company destaca que os cidadãos estão a realizar mais viagens que nunca, há novos mercados a chegar e as pessoas querem experiências únicas.
Mas não só. É que o turismo de luxo também tem apresentado um crescimento sustentável ao longo dos anos e vai continuar a apresentá-lo. Outra tendência do relatório “The state of tourism and hospitality 2024” é a necessidade dos destinos turísticos se adaptarem para satisfazer as expectativas dos turistas.
“Cerca de 66% dos mais de cinco mil consumidores inquiridos para o relatório afirmam que estão mais interessados em viajar agora do que antes da Covid-19, tendência que se observa em todas as faixas etárias, mas cuja percentagem aumenta à medida que a idade diminui”, evidencia o estudo.
Entre as novidades é que a pandemia veio acelerar o turismo doméstico, que ganhou um protagonismo maior perante a falta de circulação entre países e continentes. De facto, foi a pandemia que levou “a uma recuperação mais rápida face aos destinos internacionais, representando neste momento 75% do mercado global de gastos em viagens”.
Javier Caballero, sócio da McKinsey & Company, refere que “a recuperação do turismo chegou com muita força, e à medida que viajantes de um maior número de mercados de origem se aventuram a explorar novas fronteiras e experiências únicas, criam-se novas oportunidades para as empresas do setor e para os destinos captarem novos ‘consumidores’ e adaptarem as suas estratégias a um panorama em constante mudança”.
“Este fenómeno sugere uma tendência para a normalização pré-pandemia até ao ano 2030. Além disso, estima-se que o gasto em viagens seja de 8,6 mil milhões de dólares em 2024, representando aproximadamente 9% do PIB global deste ano”, sustenta o relatório da McKinsey & Company.
Apesar da consultora evidenciar os Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, China e França como os cinco países com maior emissão de turistas a nível mundial, uma vez que reúnem 38% do gasto, há novos mercados a surgir. As regiões da Europa de Leste e Sudeste Asiático deverão apresentar um crescimento anual na ordem dos 7% até 2030, enquanto se espera um crescimento médio de 9% até 2030.
Redefinir turismo de luxo
Os turistas importam-se cada vez mais com as experiências que vivem nas férias. Exemplo disso tem sido o turismo de luxo.
Este tipo de turismo tem estado a redefinir-se no produto e no tipo de consumidor. Estima-se que a procura e hospitalidade do luxo apresente um crescimento mais rápido do que qualquer outro segmento de viagem, com a Ásia a ser o epicentro e principal mercado emissor.
“Os viajantes de luxo não formam um grupo homogéneo, e muitos dos mitos tradicionais estão a mudar. A segmentação por idade, nacionalidade e património líquido revelam preferências em constante evolução. Muitos turistas de luxo não são milionários, e a maioria tem menos de 60 anos”, aponta Caballero.
Este segmento de turismo apresenta um mercado global estimado em 1,5 mil milhões de dólares e um crescimento anual de 6% desde 2015.
“Os atuais turistas de luxo procuram experiências personalizadas que se adaptem aos seus interesses individuais, como imersões culturais autênticas e uma maior ligação com os destinos que visitam, com 78% destes viajantes dispostos a pagar mais por experiências diferenciadoras, personalizadas e exclusivas”, indica o estudo da McKinsey & Company.
Entre as novidades neste tipo de turismo está o facto dos viajantes estarem a preferir “opções que promovam a saúde e a sustentabilidade com a tecnologia a assumir um aspeto relevante”. “Este perfil de turista utiliza ferramentas digitais para planear e gerir as suas viagens, o que obriga as empresas a melhorar as suas capacidades tecnológicas para oferecer serviços sem interrupções. A análise da McKinsey afirma que 85% dos turistas de luxo utiliza aplicações móveis para organizar as suas viagens, e 75% prefere hotéis com inovações tecnológicas avançadas”.
Analisando quase ao pormenor, é possível verificar que a Geração Z é a que mais procura gastar em detrimento das experiências. Com base em outras gerações, 52% admite gastar por um capricho, um valor que desce para os 47% nos Millennials, 39% na Geração X e 29% nos Boomers.
Novos destinos em vista
Estados Unidos, Espanha, China, França, Arábia Saudita, Turquia, Itália, Tailândia, Japão e Índia vão continuar a ser os países preferidos pelos viajantes, sendo que atualmente recebem 45% de todo o valor gasto em viagens, incluindo turismo interno.
Contudo, os turistas querem novos destinos, preferencialmente para os lados da Ásia. Exemplo disso é Laos e Malásia estarem entre as maiores procuras, com 20% e 17%, respetivamente, no gastos dos turistas internacionais.
A Organização Mundial de Turismo prevê que o número de turistas alcance os 1,8 mil milhões, mais 20% face a 2019. Por isso mesmo, a McKinsey alerta estas regiões para a necessidade de “recrutar e formar trabalhadores suficientes, aproveitar a utilização de dados e a tecnologia para gerir o fluxo de turistas, ser estratégico em que segmentos se quer atrair turistas, descentralizar a infraestrutura e as pontos de interesse para uma distribuição maior por número de cidades/locais, preservar o património cultural e natural e explorar múltiplos mecanismos de financiamento, como patrocínio de eventos ou colaborações público-privadas”.
O Vietname, por exemplo, verificou um aumento de 40% no gasto turístico nos cinco anos anteriores à pandemia e optou por desenvolver estratégias devido a esta procura, um caso que também acontece no Peru, que está a promover locais arqueológicos menos visitados, ou o Ruanda que está a investir em infraestrutura para se tornar um centro de trânsito em África.