A Galp joga no campeonato do mundo da exploração de petróleo, com presença no Brasil e em África. Já ao nível dos postos de abastecimento joga na liga ibérica. Mas a nível industrial ainda está circunscrita ao campeonato nacional. Está? Estava. Tudo vai mudar a partir deste ano, com a companhia a subir à liga dos campeões europeus da refinação.
“Na lógica industrial, a escala, a competitividade, a integração e a complementaridade, trazem-nos para uma dimensão europeia”, disse o co-CEO João Diogo Marques da Silva ao JE.
Já a co-CEO Maria João Carioca destaca; “Olhando para o contexto europeu atual, há a necessidade de termos plataformas industriais de escala para estarmos presentes com relevância nos mercados em que operamos. Isso é crítico no setor energético. Esta é a oportunidade de ter essa relevância e essa escala”.
Questionada sobre as mais-valias do negócio, a gestora sublinha a “capacidade acrescida em termos de escala, de capacidade e de otimização de investimentos. Damos mais futuro a estes negócios. Num setor de transição energética, tudo tem a ver com o contexto a nível internacional” o que requer “muito investimento” de “longo prazo”, envolvendo “montantes muito significativos”.
Maria João Carioca acredita que a Galp fica “claramente com duas plataformas com dimensão e condições para serem líderes a nível ibérico”.
Sobre a super-rede ibérica de postos, João Diogo Marques da Silva aponta que vai dar “um músculo fundamental para crescer e para ser mais consistente em termos de proposta de valor e de oferta”.
Em relação ao renovado foco na exploração de petróleo, João Diogo Marques da Silva destaca que a Galp, apesar desta operação, vai manter ainda “70% da sua atividade e do seu valor” depois deste negócio. Em 2024, a exploração de petróleo foi de longe a fatia mais lucrativa para a Galp gerando mais de 2 mil milhões de euros no EBITDA total de 3.300 milhões de euros.
A RetailCo vai contar com uma rede com 3.500 postos de abastecimento. Já a IndustrialCo junta a refinaria da Galp com duas da Cepsa e com a capacidade de processamento diário de 700 mil barris. A operação também visa a junção dos novos projetos de baixo carbono da Galp em Sines, com o Vale de Hidrogénio Verde da Andaluzia.