Numa reunião com a associação do setor (a APCRI – Associação Portuguesa de Capital de Risco), que se realizou esta quarta-feira na Cuatrecasas, Gonçalo Regalado, presidente do Banco Português de Fomento, apresentou alguns dados do “Fundo de Fundos” e de como iria ser operacionalizado.
Tratando-se de um “fundo de fundos” significa que o Banco de Fomento não investe diretamente nas empresas, mas sim em outros fundos de investimento (capital de risco/venture capital) que, por sua vez, investem nas PME e em empresas maiores.
Segundo o CEO o Banco de Fomento conta que este instrumento financeiro chegue ao mercado no segundo s terceiro trimestre e espera que já em setembro as sociedades gestoras possam candidatar-se.
O método será “first in, first served”, ou seja quem chegar primeiro ganha, e não através de concurso como foi no caso do programa Consolidar.
O responsável pelo banco soberano irá agora reunir-se com o Ministério da Economia, com este instrumento financeiro na agenda da reunião.
O Governo português, em conjunto com o Banco Português de Fomento, anunciou em outubro de 2025 a preparação de um novo “Fundo de Fundos”. Este instrumento financeiro visa capitalizar empresas no pós-PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e consiste num instrumento financeiro para dar continuidade ao Fundo de Capitalização e Resiliência no pós-PRR.
O objetivo é replicar “as práticas de mercado das parcerias de capital com o grupo BEI/FEI, promovendo a capacitação do ecossistema nacional de capital de risco”, disse na altura o Ministro da Economia e Coesão Territorial.
O anúncio foi feito na conferência anual da Associação Portuguesa de Capital de Risco (APCRI) em outubro do ano passado e segundo o Ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, o novo “fundo de fundos” deverá replicar “práticas de mercado das parcerias de capital” com o Banco Europeu de Investimento (BEI) e do Fundo Europeu de Investimento (FEI), que disponibilizam empréstimos condições mais vantajosas face às de mercado.
De acordo com o governante, em causa está “um fundo de fundos, estruturante e recorrente, que, sob gestão do grupo BPF, possa dar continuidade à missão do Fundo de Capitalização e Resiliência – centrado na capitalização do tecido empresarial”.
Numa entrevista em fevereiro ao Eco, Lurdes Gramaxo, Presidente da Investors Portugal, dizia que o setor aguarda o arranque de um fundo de fundos do Banco Fomento Português. “Dos contatos que temos tido na Investors Portugal, tudo indica que haverá novidades para o segundo semestre de 2026. Aguardamos com muita expectativa pelas novidades e estamos, como sempre, totalmente abertos para colaborar com os decisores públicos sobre o desenho deste instrumento fundamental para o crescimento do setor”, disse.