Free Electrons celebra uma década a transformar a inovação energética

De projeto pioneiro a referência mundial, o Free Electrons celebra dez anos de impacto e aceleração do setor da energia, assumindo, no entanto, que o maior desafio da transição energética já não é só inovar, mas implementar à escala.

Free Electrons celebra uma década a transformar a inovação energética
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Há dez anos, quando um grupo de grandes utilities criou uma plataforma global para aproximar startups e empresas de energia, a expressão “inovação aberta” era encarada com prudência num dos setores mais regulados da economia. Hoje, ao celebrar a décima edição, o Free Electrons afirma-se como uma das mais influentes plataformas mundiais de colaboração entre utilities e startups ao acumular mais de 124 milhões de euros em negócios gerados, o que demonstra como a inovação colaborativa pode acelerar a evolução do setor energético.

Mas, bem mais do que um aniversário, esta década de atividade representa um momento de reflexão sobre como a inovação deixou de ser experimental para ocupar um lugar central na estratégia das empresas de energia.

Criado em 2016 por um conjunto de utilities internacionais, entre as quais a EDP, a E.ON, a PPC Group, a ESB, a CLP, a Origin Energy e a Hydro Québec, o Free Electrons nasceu para aproximar empresas que operam sistemas energéticos complexos das startups que desenvolvem soluções para os desafios da transição energética. Ao fim de dez anos, os números ilustram a sua dimensão: mais de 275 startups participantes, 340 colaborações, 274 projetos-piloto, 37 implementações comerciais e 29 investimentos diretos.

A edição de 2026 assinala esse marco com Lisboa a assumir papel central, pois, no final de junho, a EDP recebeu o bootcamp internacional do programa, reunindo 30 startups selecionadas entre centenas de candidaturas. O próximo passo será a escolha de 15 empresas para prosseguir para o Master Module, no Reino Unido, a 14 de setembro, onde utilities e startups irão desenvolver planos concretos para potenciais pilotos. A grande final será no Canadá, a 16 de novembro, e incluirá um Open Day com a eleição da startup do ano.

Da inovação aberta à criação de negócio

Ao longo da última década, o Free Electrons evoluiu significativamente. Se, nas primeiras edições, predominava a lógica de aceleração e mentoria, o foco atual está no desenvolvimento de negócio e na implementação de soluções em contexto real. O objetivo já passa apenas por identificar tecnologia promissora, mas ir além e criar condições para a sua adoção efetiva.
Para a EDP, o programa tornou-se também uma plataforma estratégica para identificar tendências emergentes e antecipar transformações no setor energético, promovendo simultaneamente uma cultura de colaboração entre utilities. Mas há mais exemplos de sucesso.

Entre as centenas de startups que passaram pelo programa, destacam-se dois casos emblemáticos. A Prescinto, por exemplo, especializada em gestão de ativos renováveis, que expandiu internacionalmente a sua atividade através das colaborações desenvolvidas no Free Electrons, culminando na aquisição pela IBM, em 2024. Já a parceria entre a Rondo Energy, a EDP e a HEINEKEN originou um dos maiores projetos mundiais de armazenamento térmico industrial, contribuindo para a descarbonização de processos industriais intensivos. Estes casos ilustram as duas dimensões fundamentais do programa: ajudar startups a atingir escala global e transformar inovação em projetos concretos.

Mais desafios, maiores oportunidades

As prioridades atuais das utilities refletem as grandes transformações em curso no setor energético. Nas redes elétricas, os desafios passam pela modernização das infraestruturas e o aumento da resiliência. Nas energias renováveis, o foco está na eficiência operacional e na aceleração da implementação de novos ativos. Já na área de energy management, cresce a necessidade de reforçar capacidades de previsão, armazenamento e otimização dos mercados energéticos.
Por outro lado, nas soluções para clientes, as oportunidades concentram-se na eletrificação industrial, na flexibilidade energética e na produção descentralizada. E em todas estas áreas, a IA assume um papel cada vez mais relevante.
Convém também sublinhar que ao longo da sua história o Free Electrons demonstrou ser um projeto resiliente após enfrentar momentos marcantes, desde a adaptação ao contexto da pandemia até ao desenvolvimento dos primeiros projetos colaborativos entre múltiplas utilities, como o piloto realizado pela EDP, ESB, AEP e Power to Hydrogen.

Mas, a principal conclusão desta década parece hoje evidente e leva a crer que o maior desafio da transição energética já não é tecnológico, pois as soluções existem. Por isso, o verdadeiro sucesso está na capacidade de as implementar rapidamente à escala necessária, garantindo fiabilidade, viabilidade económica e impacto real.

Talvez seja precisamente essa a maior lição dos primeiros dez anos do Free Electrons: a inovação só se torna verdadeiramente transformadora quando consegue sair do laboratório, entrar no terreno e produzir resultados concretos. E, perante a urgência da transição energética, essa capacidade poderá ser o recurso mais valioso da próxima década.

 

Este conteúdo foi produzido em parceria com a EDP. 

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