O Banco Europeu de Investimento (BEI) concedeu em 2025 um apoio financeiro recorde a Portugal, atingindo aproximadamente 3 mil milhões de euros. Este valor representa um aumento significativo (43%) face aos 2,1 mil milhões de euros registados em 2024 e reflete o compromisso do banco da União Europeia em impulsionar o crescimento sustentável da economia portuguesa. O BEI sublinha que este montante deverá mobilizar cerca de 12 mil milhões de euros em investimentos correspondentes a 4% do PIB.
De acordo com o Relatório de Atividades 2025 do Grupo BEI, este montante posiciona Portugal como um dos principais beneficiários do investimento do banco na UE, num ano histórico em que o total de novos financiamentos do grupo atingiu 100 mil milhões de euros em toda a União Europeia.
Um montante de mais de mil milhões foi alocado a infraestruturas sociais, incluindo operações de apoio à habitação a preços acessíveis e às escolas públicas. Em Portugal o apoio à habitação atingiu os 750 milhões. Um financiamento que apoiará o programa nacional para a habitação a a preços acessíveis (Programa de Apoio ao Arrendamento) que inclui a construção e a renovação de cerca de 12 mil habitações.
A renovação de escolas públicas representou 300 milhões, “apoiando a modernização da infraestrutura educativa, a melhoria das condições de aprendizagem e o aumento da eficiência energética de aproximadamente 500 edifícios escolares”, segundo o BEI.
Para 2026 Nadia Calvino anunciou 1,5 mil milhões para habitação social. “Estou feliz de anunciar que hoje acordamos aumentar o nosso compromisso com a habitação em Portugal, com um novo montante de 1,5 mil milhões de euros agora focado em apoiar a casas sociais”.
“Esperamos que seja aprovado ainda em março, com um forte foco em reabilitar prédios existentes para que possamos, o mais cedo possível, ter essas casas sociais disponíveis em todo o país”.
Por outro lado, o apoio à transição verde recebeu 2,1 mil milhões de euros via projetos relacionados com a ação climática e sustentabilidade ambiental, ou seja 7 em cada 10 euros do investimento total.
“Os projetos financiados incluíram a descarbonização dos transportes e das indústrias, melhorias na eficiência energética das habitações e das escolas e investimentos na produção de energias renováveis e em redes elétricas. Estas operações consolidam ainda mais o papel do BEI como Banco do Clima em Portugal. O financiamento da coesão atingiu 2,4 mil milhões de euros, representando cerca de 80% do total dos investimentos e contribuindo para fomentar a coesão social, económica e regional em todo o país”, segundo o comunicado
“O BEI contribuiu para acelerar a estratégia de descarbonização da The Navigator Company, apoiando investimentos em tecnologias de produção com baixas emissões de carbono em todas as instalações da empresa. No setor retalhista, o BEI está a financiar a MC (Sonae) a modernizar e a melhorar a sustentabilidade de aproximadamente 400 lojas através de sistemas energeticamente eficientes, da integração de energias renováveis e de soluções de economia circular, reduzindo significativamente as emissões operacionais”, detalha a instituição.
O BEI continuou a apoiar as redes elétricas através de operações como um empréstimo de 155 milhões destinado a financiar a expansão, o desenvolvimento e a digitalização das redes da EDP em Portugal.
O financiamento nos transportes ascendeu a mil milhões, montante recorde que inclui a primeira parcela do projeto da linha ferroviária de alta velocidade Lisboa-Porto.
“O investimento destinado a promover a transição para modos de transporte mais sustentáveis representou quase mil milhões de euros, um valor histórico que inclui a emblemática linha ferroviária de alta velocidade Porto-Lisboa. A linha ferroviária de alta velocidade representa um marco para Portugal e constitui um dos maiores investimentos em infraestruturas das últimas décadas no país. O projeto deverá melhorar a mobilidade sustentável, reduzir os tempos de viagem e reforçar a coesão territorial. O BEI contratualizou a parcela inicial do dos 3 mil milhões de EUR aprovados pelo Banco em 2024 para apoiar esta infraestrutura estratégica para Portugal e para a UE”, refere a instituição.
O financiamento destinado à inovação atingiu os 500 milhões e o financiamento de coesão totalizou 2,4 mil milhões de euros, representando quase 80% do investimento do Grupo BEI em Portugal.
No que se refere à inovação o destaque vai para para atividade combinada do BEI e do FEI (Fundo Europeu de Investimento).
“O FEI desempenhou um papel importante no fomento e no crescimento do ecossistema de capital de risco, de forma a apoiar empreendedores que desenvolvam soluções e tecnologias de ponta”, refere o BEI que cita exemplos, entre os quais incluem-se investimentos no Indico VC Fund III, um fundo para empresas em fase‑inicial nas áreas da IA, deep-tech, spacetech e oceantech, bem como investimentos na Vibe Capital Partners e na Crest Capital Partners para impulsionar o crescimento das PME portuguesas. “Os gestores de fundos selecionados pelo FEI desempenham um papel fundamental na promoção da inovação de ponta, apoiando startups portuguesas em áreas como deep tech, biotecnologia e tecnologias climáticas, entre outras. Um exemplo, é o investimento do fundo Biovance, apoiado pelo FEI, na Mondego Bio em 2025, uma empresa inovadora de tratamento de cancro em Portugal”, refere o BEI.
O BEI lembra que “também está a contribuir para impulsionar a inovação e a competitividade no país, através de empréstimos diretos para apoiar investimentos em tecnologias limpas que aceleram a descarbonização da indústria e a transformação digital das redes elétricas”.
Reforço do acesso das PME e das empresas de média capitalização portuguesas ao financiamento
A componente dos Estados-Membros no InvestEU respeitante a Portugal deverá mobilizar cerca de 6,5 mil milhões em financiamento a PME e MidCaps nacionais, atuando o FEI como parceiro de execução da República.
“A assinatura, em 2025, da componente dos Estados-Membros no InvestEU respeitante a Portugal permitirá a mobilização de cerca de 6,5 mil milhões em financiamento destinado a PME, Midcaps e particulares. Esta iniciativa é apoiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, financiada pelos fundos do NextGenerationEU e complementada por garantias públicas nacionais e recursos do FEI”, refere o BEI que acrescenta que o Fundo está a implementar esta iniciativa em colaboração com intermediários financeiros portugueses, nomeadamente o Banco Português de Fomento, “privilegiando áreas-chave como a inovação, a digitalização, a sustentabilidade e a competitividade”.
“O apoio às PME e às empresas de média capitalização continua a ser uma das prioridades do Grupo BEI em Portugal. Em 2025, o Grupo destinou mais de 500 milhões à melhoria do acesso dessas empresas a financiamento, reforçando a competitividade, a produtividade e o desenvolvimento regional. Mais de 10 000 empresas portuguesas beneficiaram deste apoio sustentando cerca de 245 mil postos de trabalho.
O BEI revela que “continuou a explorar parcerias com bancos comerciais para canalizar financiamento para este segmento crucial da economia e em 2025 assinou, entre outras operações, contratos com o Santander Totta, incluindo uma linha de crédito de 75 milhões de euros destinada ao setor agrícola, sendo 10 % dedicados ao apoio a agricultores jovens e em início de atividade, e com o BPI, nomeadamente uma garantia de partilha de riscos para melhorar as condições de empréstimo para investimento em setores-chave”.
Além disso, o FEI reforçou o seu apoio contínuo às PME e às MidCaps portuguesas, colaborando com bancos comerciais para canalizar financiamento e aumentando ainda mais os seus investimentos de capital no ano transato. Os investimentos do FEI em capital próprio registaram em 2025 um aumento de 40 % em relação a 2024.
A apresentação dos resultados de 2025 do Grupo BEI decorreu hoje em Portugal, no Salão Nobre do Ministério das Finanças, com a presença da Presidente do Grupo Banco Europeu de Investimento, Nadia Calviño.
Nadia Calviño considera que o ano passado “foi extraordinário para a atividade do BEI em Portugal”, lembrando os 40 anos de adesão do país ao bloco económico europeu.
A presidente do BEI realçou que apesar de Portugal ter integrado a Comissão Europeia há 40 anos, o BEI começou a operar em Portugal há 50 anos, antes da adesão à CEE (nome da Comissão Europeia na altura).
(atualizada)