Festival Islâmico de Mértola: um festival de sons, gentes e diálogo

O Festival Islâmico de Mértola quer-se uma viagem sensorial pelos sons do Norte de África, Mediterrâneo, Turquia e mais além. E também uma celebração do diálogo intercultural num mundo cada vez mais complexo.

Festival Islâmico de Mértola: um festival de sons, gentes e diálogo
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Faltam 35 dias para o arranque oficial do Festival Islâmico de Mértola, na cidade amuralhada que preserva séculos de história e alguns dos vestígios mais importantes da presença árabe em território nacional.

Mas não iremos aqui falar de História, antes de um evento marcante para a região e que este ano regressa em pleno para a 12ª edição, que irá decorrer entre 18 e 21 de maio, para quatro dias de celebração que visam, acima de tudo, promover o conhecimento, o diálogo, a tolerância e cidadania entre culturas.

Mértola vai voltar a acolher um souk, ou seja, o mercado de rua que é já uma das iniciativas mais emblemáticas do Festival, que reúne uma grande comunidade islâmica proveniente de países como Marrocos, Argélia, Tunísia, Espanha e Egito, entre outros.

Além da promoção da história e património da região, pretende-se também divulgar a cultura islâmica e a produção contemporânea, assim como fortalecer laços culturais, sociais e económicos com o Mediterrâneo.

O primeiro momento da 12ª edição é promovido pelo projeto TASA – Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais, que renova a sua parceria com o do Festival Islâmico de Mértola e organiza oficinas de artesanato em cana, palma e esparto durante os quatro dias do festival. A ideia é dar a conhecer o seu trabalho de inovação das artes tradicionais ligadas ao património cultural do Algarve e constituir-se como complemento à programação de concertos ao vivo, exposições e atividades artísticas, integrando-se no “espírito do souk”.

Este projeto, sediado em Loulé, não só resgata técnicas ancestrais ameaçadas de extinção pela produção massificada, como também inova o artesanato afirmando-o como uma profissão de futuro. O TASA aposta no design como forma de valorizar as artes tradicionais do Algarve, ao mesmo tempo que conserva a sua utilidade e matriz cultural.

Ao segundo dia, a música é quem mais ordena. A partir das 21h30, o grupo Cus Cus Flamenco vai encher o Castelo de Mértola de cor e ritmo. A partir das 23h00, todos os caminhos vão dar ao Cais do Guadiana. Primeiro ao som dos Fanfarraï Big Band, grupo composto por onze músicos de origens diversas: franceses, argelinos, marroquinos, unidos pela sua paixão pelos ritmos do Magrebe.

A festa prossegue com os irmãos sírios Hasan e Rami Nakhleh, que formam a banda TootArd e que trazem a terras do Guadiana o seu último álbum, “Migrant Birds” (2020). A noite termina ao som da dupla Olkan & La Vipère Rouge, que promete uma mistura sonora de fusão contemporânea, universal e contagiante.

No dia 20 de maio, as oficinas do projeto TASA prosseguem, tal como o souk, ao longo do dia. O serão, esse, é dedicado à música, desta feita com os Expresso Transatlântico que trazem a Mértola a banda sonora de uma Lisboa com vista para o mundo, num misto de música popular portuguesa, fado, da música brasileira e africana. A noite estará por conta do cantor argelino Sofiane Saidi, que aqui se junta ao projeto Mazalda para reinventar uma nova versão funky do Raï dos anos 1980.

A entrada no Festival Islâmico de Mértola é livre e já pode consultar site oficial do evento a programação completa para a edição de 2023.

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