Expetativas goradas

Não pode existir um Estado Social sem empresas competitivas, pois só assim poderemos redistribuir a riqueza que as empresas produzirem.

Expetativas goradas
Maria Salomé Rafael Final

Relativamente ao Orçamento do Estado para 2019, com exceção do fim da obrigatoriedade do pagamento especial por conta (PEC), tínhamos algumas expetativas relativamente à carga fiscal e à sua previsibilidade, o que efetivamente não se verificou.

Há um aumento da despesa pública e dos encargos sociais, mas a sua compensação não deveria ser feita através do aumento dos impostos indiretos imputados às empresas.

Contávamos com a descida do IRC, a qual compensaria o aumento da carga fiscal para as empresas e permitiria, por um lado, torná-las mais competitivas, e por outro, atrair investimento estrangeiro.

Há um desapontamento nas empresas. Estamos com problemas, nomeadamente com o aumento dos custos dos contratos energéticos.

Consideramos que as medidas propostas pelas associações empresariais para o programa capitalizar estão longe de estar no terreno. Urge a sua implementação. O que os empresários esperam é que ainda haja algum espaço de negociação sobre todas estas questões.

As empresas têm feito um trabalho exemplar para cumprir a sua função empresarial e social. Têm sabido procurar caminhos alternativos, investindo na internacionalização do seu negócio e na procura de novos mercados. É tempo de o Governo contribuir, naquelas que são as suas funções, para apoiar as empresas. Isto faz-se reconhecendo as empresas como o verdadeiro motor do desenvolvimento económico e não como uma fonte de receita para a sua atividade.

Não pode existir um Estado Social sem empresas competitivas, pois só assim poderemos redistribuir a riqueza que as empresas produzirem.