Quando se pensa num estilo de vida criativo e interessante, num ideal a atingir, pensa-se, muitas vezes, em “viver a vida”, ou seja, criar um conjunto de experiências intensas, multidimensionais e de excelente qualidade. O tipo de experiências que se procura que reflictam um padrão de jovialidade, cultura, estimulação e conhecimento. Mesmo até as pessoas que passam o tempo “vidradas” nos diferentes dispositivos tecnológicos que possuem, dentro das suas realidades virtuais individualizadas, têm interesse em procurar continuamente experiências que lhes marquem na vida real.
Vivemos numa sociedade em que cada vez mais os consumidores estão a favor de tirar partido de experiências em prol de apenas produtos ou serviços, como denotam Joseph Pine e Jame Gilmore no livro “The Experience Economy”.
“Experiências deveriam ter sido sempre a prioridade para qualquer consumidor de um determinado produto ou serviço. No entanto, os sistemas de gestão aplicados aos negócios e os economistas transformaram este conceito num sector de serviço que resulta, muitas vezes, em actividades desinteressantes. Quando uma pessoa paga um serviço, está a comprar um conjunto de actividades intangíveis que são tratadas por si e para si. Mas quando essa mesma pessoa paga uma experiência, ela gasta tempo a desfrutar de um conjunto de eventos memoráveis que um determinado serviço ou produto propicia de uma forma personalizada.”
Uma nova oferta de experiências ocorre quando uma empresa intencionalmente utiliza produtos e serviços para envolver os seus consumidores ao nível individual. Enquanto que comodidades são coisas tangíveis e práticas, experiências são algo memorável. Os compradores de experiências valorizam estar envolvidos, emocionalmente até, no processo de oferta que uma determinada empresa lhes garante.
Tal como as pessoas têm reduzido na compra de produtos para despender mais dinheiro em serviços, cada vez mais despendem em serviços que lhes proporcionem experiências valiosas e memoráveis.
Este estilo de vida activo e experimental está a alargar-se cada vez mais e a tornar-se predominante na nossa sociedade ocidental à medida que as estruturas e as instituições ligadas à indústria criativa aumentam. É, sem dúvida, uma tendência do futuro que já se verifica nos tempos que correm. “Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela”, já dizia o filósofo Albert Camus.