Europa tem de impedir os outros blocos de liderar o desenvolvimento global

A Inteligência Artificial é um instrumento que está a consolidar-se, mas é na China e nos Estados Unidos que está o desenvolvimento. As empresas e as entidades públicas têm de contribuir para alterar este estado de coisas. Tiago Mateus, administrador do Banco de Fomento, deu pistas para isso.

Europa tem de impedir os outros blocos de liderar o desenvolvimento global
Tiago Mateus (BPF)

Coube a Tiago Mateus, vice-presidente do Banco de Fomento (BPF) introduzir o tema do papel da inteligência artificial na Conferência da AIMMAP ‘Vender Valor’, que contou com o patrocínio do Jornal Económico. “Começou por ser um jargão, para passar a ser uma realidade. Baseando-se num estudo da McKinsey, deve concluir-se que a Europa compara mal com a China ou com os Estados Unidos, tanto na criação de riqueza (ou de PIB), quer na produtividade. “A produtividade está estagnada desde 2017”.

Num contexto em que um dos temas em conversa é se a IA vai ou não substituir a atividade humana, parece haver boas razões para que a esperança não desapareça. Nas atividades não físicas, “há 21% que não são automatizadas mas há um diferencial de 44% que conseguem ser automatizadas. Mais uma vez, no nosso entendimento, nós temos que ter a capacidade de perceber o que é que temos à nossa frente. Como é que os processos vão avançar de forma muito mais estruturante na utilização da IA. As empresas têm de configurar as estratégias em que se aplicaram estas tecnologias”.

Para o vice-presidente do banco público, “deve haver uma estratégia muito bem definida. E ter depois o compromisso de adoção”. Que deve ser partilhado e não apenas imposto a partir de cima. Segundo o estudo, “73% dos CEOs já começaram a tomar o procedimento para aplicar IA. E 94% irão este o ano que vem trabalhar nesse sentido.

O papel da inteligência artificial no setor industrial é, por isso, fundamental, nomeadamente numa Europa que tem custos de contexto excecionais e que, mais uma vez, comparam mal com o que se passa na China e nos Estados Unidos, que são para todos os efeitos os blocos concorrentes da economia da União Europeia. Preços da eletricidade e das energias em geral, despesa em defesa inadequada enformam esses custos.

É neste quadro que o BPF tem uma palavra a dizer. O que, aliás, se estende a todos os quadrantes da vida das empresas. Isso mesmo ficou demonstrado pelo balanço que Tiago Mateus deixou sobre a atuação da instituição do Estado em termos de apoio às geografias mais afetadas pelas intempéries que assolaram o país ainda há bem poucas semanas. A linha de reconstrução já absorveu 1.566 milhões de euros – onde também estão as empresas do setor da agricultura, ao contrário do que foi sendo dito em alguns fóruns. Cerca de 86 % das candidaturas foram remetidas por médias empresas.

Tiago Mateus referiu-se finalmente à criação de um novo fundo de fundos, um “instrumento de política de investimento para alavangem de capital público e privado. Direcionado para star-ups e pequenas e médias empresas. Estará pronto para ser lançado em setembro próximo e terá uma dotação de três mil milhões de euros. Os seguros de credito às exportações também vão ser alvo da atenção do banco – que detetou ali um constrangimento de mercado que o Estado quis colmatar.

Finalmente, a SOFID como motor do investimento no estrangeiro mereceu também a atenção de Tiago Mateus. A SOFID (Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento), cujo principal acionista é o Banco Português de Fomento, tem como principal missão apoiar o investimento e o crescimento económico de empresas portuguesas em países emergentes e em desenvolvimento, através de financiamento.

 

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