A Check Point, empresa que providencia soluções de cibersegurança, divulgou o seu Índice Global de Ameaças de Julho de 2025, que destaca um aumento significativo tanto na escala como na sofisticação dos ciberataques. O volume de ciberataques voltou a subir, com o ransomware a crescer 28% em relação a 2024. Grupos como Qilin, Inc. Ransom e Akira dominam o panorama de ataques.
De acordo com dados da Check Point Research (CPR), cada organização enfrentou em média 2.011 ciberataques por semana, um aumento de 3% em comparação com o mês anterior e de 10% em termos anuais. O relatório revela que nenhum setor ou região está imune, com variações significativas por indústria e geografia.
Os setores mais visados a nível mundial incluem a educação, com 4.248 ataques semanais por organização (+11% ano a ano), telecomunicações com 2.769 ataques (+24% ano a ano), administração pública/governo com 2.745 ataques (+6% ano a ano) e agricultura, que apresentou o maior crescimento, com um aumento de 81% ano a ano.
Regiões como a APAC registaram 3.403 ataques semanais por organização (+3% ano a ano), a América Latina 2.917 (+4% ano a ano), a América do Norte 2.870 (+5% ano a ano) e a Europa teve a maior subida anual, com um aumento de 15% ano a ano.
Omer Dembinsky, Group Manager de Threat Intelligence da Check Point Software Technologies, afirmou que “os dados de julho mostram que o ransomware não só veio para ficar, como está a evoluir rapidamente, com grupos como o Qilin a expandirem o seu alcance para alvos de elevado valor. Estes ataques estão a atingir todos os cantos do mundo e todos os tipos de organizações. Estratégias de prevenção em primeiro lugar, potenciadas por IA, são a única forma de combater e de se manter à frente dos atacantes”.
O ransomware continua a ser uma das formas mais visíveis e destrutivas de cibercrime. Em julho de 2025, foram reportados 518 ataques de ransomware, representando um aumento de 28% em comparação com o mesmo período de 2024. A América do Norte foi a região mais atingida, representando 52% de todos os incidentes, seguida pela Europa, com 25%.
Do ponto de vista setorial, o setor de bens de consumo e serviços foi o mais impactado, representando 12% de todos os ataques reportados. O setor da construção e engenharia surge em segundo lugar, com 10,2%, e os serviços empresariais completam o top 3, com 9,5%.
Os dados provêm de “shame sites” de ransomware, operados por grupos de dupla extorsão que publicam informações sobre as vítimas. Embora essas fontes sejam enviesadas e incompletas, oferecem uma visão valiosa sobre as tendências de ransomware e os perfis de vítimas.
Em julho de 2025, três grupos de ransomware-as-a-service (RaaS) dominaram o cenário. O grupo Qilin foi responsável por 12% de todos os ataques publicados, tornando-se o grupo mais ativo do mês. Antigamente conhecido como “Agenda”, opera desde 2022 e tem expandido a sua infraestrutura. Inc. Ransom foi responsável por 9% dos ataques e tem um perfil distinto de vítimas, com 33% dos alvos do setor da saúde e 10% da educação. Por sua vez, Akira representou 8% dos ataques reportados, focando-se em serviços empresariais e indústria transformadora.
A situação atual da cibersegurança destaca a necessidade urgente de medidas de prevenção e a importância de estratégias adaptadas para enfrentar a evolução constante das ameaças cibernéticas.