O exército norte-americano abateu mais um objeto voador não identificado este domingo, que sobrevoava o lago Huron, partilhado entre os Estados Unidos e o Canadá. É a quarta vez no espaço de uma semana que as atenções da Defesa norte-americana se viram para os céus. Os legisladores dizem não estar a ser informados do que se passa.
No dia 4 de fevereiro, o mundo assistiu enquanto dois jatos F-22 abateram um balão chinês que estaria a sobrevoar o país e que a inteligência norte-americana rotulou como sendo uma ferramenta de espionagem, já que sobrevoou territórios onde estão instaladas importantes bases militares. A diplomacia chinesa classificou a reação como um exagero e, desde então, mais dois incidentes semelhantes ocorreram, tanto nos Estados Unidos como no Canadá.
Este domingo, a confirmação veio por tweet, assinado pelo republicano Jack Bergman, do estado de Michigan, que aponta o dedo à administração e pede esclarecimentos: “O povo americano merece mais respostas do que as que temos”, escreve.
Fontes oficiais ainda não divulgaram grandes detalhes sobre a natureza dos objetos abatidos, tanto este domingo como no sábado e na sexta-feira, mas o líder do Senado, Chuck Schumer, confirmou à ABC que os especialistas acreditam que os dois últimos objetos eram muito mais pequenos do que o primeiro balão chinês.
Um outro legislador republicano, Mike Turner (Ohio), diz que os membros do Congresso não foram formalmente infromados sobre os abates, nem das conclusões que deles se retiraram. “Isto pode ser porque não há nenhuma informação”, admitiu à CNN. “Pela conferência de imprensa a que assistimos, parece que tomaram esta ação sem ter uma noção do que se estava a fazer”.
O republicano disse ainda que é necessária uma maior articulação entre a administração de Joe Biden e o Congresso, mas sugere que os acontecimentos destes últimos dias exigem uma proteção do espaço aéreo norte-americano.
Num comunicado oficial publicado este sábado, o assessor do Pentágono, Pat Ryder, adiantou que as autoridades canadianas estão em vias de recuperar os destroços dos objetos, numa tentativa de encontrar respostas para as duas diplomacias. Já a ministra da Defesa do Canadá, Anita Anand, disse ontem que ainda é cedo para concluir se se trata de mais um objeto chinês: “De acordo com todas as indicações, o objeto é potencialmente semelhante àquele que foi abatido ao largo da costa da Carolina do Norte, apesar de ser cilíndrico e muito mais pequneo”, disse.
Já na sexta-feira, foi a voz do porta-voz da Casa Branca dar uma palavra sobre os eventos que marcaram a agenda internacional, mas sem concretizar grandes pormenores. “Estamos a chamar-lhe um ‘objeto’ porque é a melhor descrição que temos neste momento”, afirmou, ressalvando que os oficiais norte-americanos não conhecem a origem do segundo balão.
O deputado democrata Jim Himes (Conneticut), também assinalou um relativo silêncio por parte das fontes oficiais da Defesa, e expressou “graves preocupações” à NBC quanto à falta de transparência da administração. Himes acrescentou que “há muito lixo no ar” e que não é nada difícil para um país, organização ou até mesmo um cidadão colocar um objeto a voar.
“O meu entendimento especulativo é que estamos a ver estes acontecimentos a darem-se em rápida sucessão porque nos demos ao trabalho de os procurar”, disse.