Estado cria rede tecnológica e aposta na IA na Saúde com poupança de 300 milhões

Nova estrutura de governação tecnológica junta organismos públicos e acelera agenda de transformação digital da Administração Pública. Primeira reunião focou-se na inteligência artificial aplicada ao Serviço Nacional de Saúde

Estado cria rede tecnológica e aposta na IA na Saúde com poupança de 300 milhões
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A primeira reunião da recém-criada Rede de Simplificação e Tecnologias do Estado marcou esta segunda-feira o arranque de um novo modelo de governação tecnológica em Portugal, concebido para concentrar decisões estratégicas sobre digitalização, interoperabilidade e modernização administrativa num formato mais coordenado entre organismos públicos.

O Governo estima que esta abordagem possa gerar poupanças na ordem dos 300 milhões de euros, resultado de uma maior capacidade negocial do Estado perante fornecedores tecnológicos e da redução de redundâncias entre sistemas.

Segundo o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, a rede representa “uma mudança de paradigma” na forma como o Estado decide e executa em matéria tecnológica, passando de uma lógica de fragmentação para uma “lógica de coordenação, escala e eficiência ao serviço dos cidadãos”.

IA na Saúde no centro da agenda

A reunião inaugural teve como foco principal a aplicação de inteligência artificial no setor da saúde, num contexto em que o Executivo pretende acelerar a digitalização do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sublinhou que a inteligência artificial “não substitui os profissionais de saúde”, mas sim reforça a sua capacidade de resposta, defendendo que estas tecnologias poderão contribuir para “reduzir desigualdades, salvar vidas e construir um SNS mais eficiente e preparado para o futuro”.

Entre as áreas prioritárias discutidas estiveram a triagem inteligente de utentes, a redução de tempos de espera, a gestão mais eficiente de recursos hospitalares e o desenvolvimento de soluções de telessaúde.

Interoperabilidade e nuvem soberana em destaque

Além da saúde, a reunião abordou projetos estruturantes nas áreas da interoperabilidade entre sistemas públicos e da criação de uma nuvem soberana, com o objetivo de reforçar a autonomia tecnológica do Estado e melhorar a integração de dados entre organismos.

Estas iniciativas enquadram-se na Agenda Nacional de Inteligência Artificial, que inclui também o Pacto para as Competências Digitais. O Governo prevê avançar com programas de formação em IA dirigidos à Administração Pública, com especial enfoque nos profissionais de saúde.

Próximos passos

O Executivo deverá divulgar em breve o calendário da reforma digital do Ministério da Saúde e o cronograma de implementação de soluções de inteligência artificial no SNS.

A reunião terminou com um compromisso político e institucional para acelerar a modernização tecnológica do Estado e melhorar a eficiência dos serviços públicos, num momento em que a digitalização da administração surge como uma das prioridades centrais da governação.

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