A segunda vice-presidente do governo espanhol e ministra do Trabalho e Economia Social, Yolanda Díaz, apresentou a sua candidatura às eleições gerais com a plataforma Sumar, com a qual procura reconstruir o espaço à esquerda do PSOE. Dois anos depois de ter sido nomeada por Pablo Iglesias, ex-líder do Podemos, a Díaz deu um passo em frente para as eleições de dezembro com uma plataforma própria.
O Podemos não parece estar disponível para apoiar a plataforma. O partido agora presidido por Ione Belarra não chegou a acordo para a realização de “primárias abertas” com as quais configurar as listas eleitorais. A Esquerda Unida, Catalunya en Comú (de Ada Colau), Más Madrid, Más País, Compromís e Aragonês Chunta, entre outros, fazem parte de Sumar.
O ato de apresentação da candidatura às eleições gerais de Yolanda Díaz e do Sumar decorreu depois de a formação ter encetado conversações prolongadas para se transformar numa proposta o mais alargada possível à esquerda do PSOE. Mas os analistas afirmam que a ‘falta de comparência’ do Podemos – a persistir – acabará por tonar a plataforma incompleta e dividir essa área política.
Para os seus criadores, a Sumar é uma forma de passar à frente do desgaste que o Podemos tem vindo a sentir desde há alguns anos – num quadro em que a sua presença no governo em coligação com os socialistas acabou por afastar alguns dos seus dirigentes mais destacados.
As críticas internas – nomeadamente à prestação de Pablo Iglesias – não se fizeram esperar o o partido ainda não se refez da guerrilha interna que se manifestou. A Sumar pretende desta forma, como refere, “começar tudo outra vez” e deixar para trás uma ligação com o PSOE que não correu da melhor forma.
O problema é que talvez a coligação venha a ter de ser repetida. E se isso não suceder, possivelmente será porque o Partido Popular pode ganhar as eleições. O partido de centro-direita tem vindo a recuperar da ‘travessia do deserto’ que foi o fim da liderança de Mariano Rajoy. Alberto Núñez Feijóo, o atual líder, tem imprimido uma recuperação que volta a colocar os populares na rota do poder.