As entregas mensais de petróleo russo (crude), por via marítima, atingiu o seu nível mais elevado, em três anos, em março, devido ao alívio das sanções dos Estados Unidos (EUA), de acordo com os dados da S&P Global. Já as exportações caíram devido a interrupções no carregamento nos seus principais portos russos, localizados no Mar Báltico, após os incessantes ataques de drones ucranianos, explica a mesma entidade.
Os dados da empresa de rating revelam que 4,61 milhões de barris por dia (b/d) de crude russo foram entregues a países importadores, em março, uma melhoria face aos 4,38 milhões de b/d em fevereiro. Trata-se também do nível mais elevado desde os 4,65 milhões de b/d registados em junho de 2023, e também o mais elevado desde o início dos registos da S&P Global em 2016.
“O desenvolvimento ocorreu depois de os EUA terem dito que o petróleo bruto e os produtos refinados russos carregados por navios-tanque antes de 5 de março poderiam ser vendidos à Índia, independentemente do estado das sanções dos navios, desde que chegassem aos portos indianos até 4 de abril. O mesmo alívio aplica-se a todo o petróleo russo expedido até 12 de março e dura até 11 de abril para todos os outros países”, salienta a Standard & Poor’s.
Os dados indicam ainda que a quantidade de crude russo transportado por via marítima caiu para 99,3 milhões de barris, face aos 125,1 milhões de barris de 4 de março.
“O objetivo é aumentar rapidamente a oferta no mercado e limitar o impacto da guerra com o Irão nos mercados globais de energia. Isto é importante porque, nos mercados petrolíferos, a sinalização é muitas vezes quase tão importante como a regulamentação. Assim que os EUA demonstram flexibilidade, os comerciantes, as companhias de seguros e as refinarias começam a recalcular os riscos. As refinarias indianas responderam rapidamente”, referiu o analista sénior de políticas do Centro de Estudos de Geopolítica e Segurança, Vytautas Leškevičius, ao Atlantic Council.
Os dados dizem ainda que as entregas de crude russo à Índia subiram de 1,07 milhões de barris por dia para os 2,11 milhões de barris por dia, entre fevereiro e março, e as entregas à China quebraram de 1,78 milhões de barris por dia para os 1,47 milhões de barris por dia.
“Entretanto, apesar da promessa anterior de Moscovo de aumentar a oferta de petróleo para colmatar a lacuna deixada pelos produtores do Golfo Pérsico durante a guerra com o Irão, os dados da Academia Russa de Ciências (CAS) mostram que as exportações russas de crude caíram para 3,46 milhões de barris por dia (b/d) em março, face aos 3,49 milhões de b/d de fevereiro, considerando a quantidade carregada”, salienta a S&P, que adiantou que as forças ucranianas “lançaram vários ataques de longo alcance com veículos aéreos não tripulados (drones) contra as infraestruturas portuárias e energéticas de Primorsk e Ust-Luga desde 23 de março, criando dificuldades” aos exportadores russos para manterem as suas operações.
“As operações de carregamento foram suspensas intermitentemente durante mais de uma semana, interrompendo o fluxo de exportação num nó crítico”, avançou a empresa de rating baseando-se em informação transcrita da consultora Ambrey.
“As exportações de crude de Primorsk atingiram 732.000 barris por dia (b/d) na última semana de março, depois de terem estado entre 1,1 milhões e 1,2 milhões de barris por dia no início do mês, segundo a CAS. As exportações de Ust-Luga caíram para 105.000 b/d entre 25 e 31 de março, face aos 471.000 b/d da semana anterior”, adianta.
Exportações russas sofreram uma queda
Os dados dizem ainda que as exportações totais de produtos petrolíferos da Rússia caíram para 2,19 milhões de b/d em março, face aos 2,21 milhões de b/d de fevereiro, “no meio de ataques às infraestruturas e de crescentes preocupações do governo com o abastecimento interno”, enquanto que o volume extraído de Primorsk caiu para 139.000 b/d entre 25 e 31 de março, face aos 359.000 b/d da semana anterior, quando o “fuelóleo não foi contabilizado, enquanto o de Ust-Luga foi interrompido na última semana do mês passado. As exportações recuperaram este mês”.
A S&P Global adianta também que além de atacarem ambos os portos, os drones ucranianos “atacaram a segunda maior refinaria da Rússia, Kirishi, no âmbito de novos ataques noturnos” na região de Leninegrado, conforme reportado por meios de comunicação locais a 26 de março.
“Citando relatos de testemunhas oculares, a agência de notícias russa Astra noticiou os ataques ao complexo de refinação de 420 mil barris por dia, pertencente à Surgutneftegas, que funciona como um importante ponto de distribuição regional de combustíveis e produtos petroquímicos. A Surgutneftegas não se pronunciou sobre o assunto. A 2 de Abril, o governo russo aprovou uma proibição total da exportação de gasolina, alargando as restrições existentes aos não produtores para incluir as refinarias. A proibição manter-se-á em vigor até 31 de julho”, acrescentou a empresa de rating.