O Banco de Portugal publicou hoje o Relatório da Emissão Monetária relativo a 2022 que descreve as atividades da instituição no âmbito da emissão de notas e moedas. Nele revela que, refletindo a maior entrada de notas por via do turismo (que não é totalmente absorvida pela procura) e, possivelmente, também o aumento das taxas de juro (que torna mais elevado o custo de oportunidade de ter notas), o valor das notas entradas no Banco de Portugal voltou a superar o valor das notas saídas. Foi, assim, retomada a tendência observada antes da pandemia, revela o banco central.
Entraram no Banco de Portugal 11.539 milhões de euros em notas e saíram 9.708 milhões, respetivamente mais 34,4% e mais 10,9% do que em 2021.
Uma vez que o valor das notas entradas superou o das notas saídas, o valor das notas colocadas em circulação pelo Banco de Portugal (emissão líquida) voltou a diminuir, retomando uma tendência apenas interrompida em 2020 e em 2021, no contexto da pandemia, explica a instituição liderada por Mário Centeno.
No final do ano, a emissão líquida totalizava um valor negativo de -21 mil milhões de euros, o que representa uma redução de 9,5% relativamente ao final de 2021.
Ao contrário do que tipicamente acontece com as notas, o valor das moedas saídas do banco central tem sido superior ao das moedas entradas.
Em 2022, o Banco de Portugal entregou moedas num montante 2,5 vezes superior ao das moedas recebidas. No final do ano, a emissão líquida de moedas em Portugal atingiu 753,8 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 7,4% em relação ao ano anterior.
O banco central assegurou a quota de notas que lhe foi atribuída nos termos do acordo celebrado com os bancos centrais da Áustria e da Bélgica.
Em 2022, ao abrigo do acordo de fusão das quotas de produção de notas de euro celebrado entre os bancos centrais da Bélgica, da Áustria e de Portugal, a Valora produziu e entregou ao Banco de Portugal 108 milhões de notas de 20 euros e 78,4 milhões de notas de 10 euros. O Banco de Portugal não recebeu notas de outros bancos centrais do Eurosistema, mas entregou-lhes 49,6 milhões de notas de 20 euros e 22,4 milhões de notas de 50 euros, 60 mil notas de 100 euros e 90 mil notas de 200 euros, detalha o banco central.
O Banco de Portugal revela ainda que, no conjunto da área do euro, a emissão líquida de notas de euro continuou a crescer em valor (1,8%), embora menos do que em anos anteriores.
“Até abril de 2022, a procura por notas subiu, impulsionada pela invasão da Ucrânia e o consequente receio de interrupção do normal funcionamento dos sistemas de pagamentos, mas este crescimento foi parcialmente compensado, a partir de julho, pelo efeito da subida das taxas de juro do Banco Central Europeu, que elevou o custo de oportunidade de deter este tipo de ativos e, desta forma, promoveu um maior regresso de notas aos bancos centrais”, avança o BdP.
O relatório revela que no ano passado o Banco de Portugal verificou a genuinidade e a qualidade de 557 milhões de notas e de 79 milhões de moedas. Na sequência disso, foram destruídas e incineradas, com aproveitamento da energia elétrica gerada nesse processo, 72 toneladas de notas inaptas para voltar a circular.
Manualmente, o Banco de Portugal valorizou ainda 44.829 notas deterioradas, devolvendo aos seus apresentantes 1,6 milhões de euros, e analisou 215.946 notas neutralizadas por dispositivos antirroubo, no valor de 3,3 milhões de euros, explica.
Em Portugal, o número de contrafações da nota de euro retiradas da circulação diminuiu 1,0% em relação a 2021, avança ainda o relatório.
Foram retiradas da circulação 10.732 notas contrafeitas, sobretudo de 10 e de 20 euros, e 2.133 moedas contrafeitas, principalmente de 2 euros, correspondendo a percentagens ínfimas do número de notas e moedas genuínas em circulação.
“Embora não tenha sido a denominação mais contrafeita, a quantidade de contrafações da nota de 50 euros retiradas da circulação aumentou 32,8%”, segundo o BdP.
Para combater a contrafação, o Banco de Portugal realizou ações de formação sobre a nota e a moeda de euro, que reuniram 9.210 participantes, e formou, por e-learning, 9.080 profissionais.
As instituições de crédito e as empresas de transporte de valores processaram 6 vezes mais notas e 74 vezes mais moedas do que o Banco de Portugal.
“O cumprimento das regras a observar nesta atividade foi avaliado em 555 ações de inspeção realizadas pelo Banco de Portugal em todo o território nacional”, revela o banco.
O Banco de Portugal conclui revelando que a última série de notas de escudo prescreveu no dia 1 de março de 2022. Ficaram por trocar notas de escudo desta série no valor de 94 milhões de euros.
Este montante constituiu um proveito extraordinário do Banco de Portugal em 2022, dado que a responsabilidade pelo pagamento destas notas se extinguiu. O banco central ainda não revelou as suas contas.