A saída dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da OPEP e da aliança OPEP+, com efeito a partir de 1 de maio, é uma notícia com grande impacto para o mercado global de energia, tendo ocorrido uma queda no mercado petrolífero de cerca de 2.5%.
É possível concluir que esta foi a perda mais pesada do cartel nos últimos anos. Sendo que os Emirados possuem uma capacidade de produção forte de cerca de 4,8 milhões de barris por dia, a perda desse volume retira da OPEP uma ferramenta do seu arsenal. Neste contexto, com menos peso no mercado, o grupo terá muito mais dificuldade em manipular a oferta global e ditar a estabilidade dos preços do petróleo no futuro.
Durante os últimos anos, os EAU investiram de forma avultada para expandir o seu setor energético doméstico, mas sentiam-se constantemente prejudicados e travados pelas cotas restritivas impostas pelo cartel. Fora da OPEP, o país ganha total flexibilidade comercial.
Priorizando o interesse nacional, os Emirados poderão extrair e vender o máximo de petróleo que conseguirem em linha com as suas infraestruturas de exportação.
Para a Arábia Saudita, principal líder da organização, esta é uma reviravolta estratégica. Embora a OPEP já tivesse sofrido baixas recentes, como o Catar (2019), o Equador (2020) e Angola (2023), mas a saída dos EAU é diferente. Trata-se do abandono de um gigante do Golfo Pérsico e um parceiro histórico, o que expõe uma profunda fratura e enfraquece a frente unida do cartel perante a concorrência de produtores externos, como os Estados Unidos.
O impacto agrava-se dramaticamente devido ao momento em que ocorre – o mercado já atravessa um choque energético histórico devido ao atual conflito no Irão e ao colapso do trânsito no Estreito de Ormuz.
Com os preços do barril a ultrapassarem os $110, os Emirados deixaram claro que não querem estar sujeitos a limites artificiais de exportação quando a situação no Golfo finalmente normalizar.
Esta falta de coordenação entre gigantes poderá trazer mais volatilidade ao mercado no curto prazo. Ainda assim, tal pode causar uma disrupção da oferta a nível mundial, e afetar em parte as economias exportadoras de petróleo.
Por outro lado, isto pode ser uma boa notícia para os importadores de petróleo, como o caso da Europa, caso os EAU decidam aumentar a sua exportação.