Um edifício no Hospital Júlio de Matos. Duas das mais marcantes estórias da História de Portugal. Uma experiência labiríntica que desafia os mais intrépidos. Estes são os ingredientes de uma nova forma de fazer teatro.
É de noite. Dão-lhe uma máscara cirúrgica e convidam-no a explorar um hospital psiquiátrico. A decoração, a música ambiente, tudo remete para o ano de 1940. De repente, depara-se com um médico a discutir com uma mulher. E dá para sentir uma forte tensão. Decide segui-los, até que chegam a uma sala com um palco, onde todos dançam ao som da música. E assim começa a experiência.
Na peça de teatro imersivo “E Morreram Felizes Para Sempre” – produzida pela Goosebumped em parceria com o LisbonWeek e com o apoio institucional do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa e da Junta de Freguesia de Alvalade –, os visitantes são convidados a explorar um edifício de dois pisos, com 27 salas, e a mergulhar num universo multissensorial e a descobri-lo sem qualquer tipo de barreiras ou inibições, já que as dez personagens se movem sem palavras e vivem as cenas por meio de expressão corporal. E cada visitante é livre de traçar o seu caminho e de explorar o espaço ao seu próprio ritmo.
A história é inspirada na tragédia amorosa de D. Pedro I e Inês de Castro e na invenção da lobotomia por Egas Moniz, vencedor do Nobel da Medicina em 1949, no seguimento de uma nomeação obtida no primeiro Congresso Internacional de Psicocirurgia, organizado no Júlio de Matos.
Em termos conceptuais, é o “anti conto de fadas”. A relação de Pedro e Inês, expoente nacional das histórias de amor, está carregada de mitos populares, desde as lágrimas de sangue à própria exumação.
E se as lágrimas de sangue fossem, afinal, resultado de uma lobotomia a Inês, a enfermeira que se envolve com Pedro, o médico residente? E se Constança, a mulher de Pedro, não morresse de desgosto mas de uma overdose de medicamentos?
A destruição dos mitos expõe os contos de fadas à crua realidade… a de que ninguém vive feliz para sempre. É o cérebro, com os seus neurotransmissores, que comanda a paixão, e não o coração. E foi ao cérebro que Egas Moniz dedicou a sua vida e obra. É por ele que as histórias se ligam.
Com a direção de atores e encenação a cargo de Ana Padrão, o elenco da peça é composto por Afonso de Melo, Anton Skrzypiciel, Bruno Rodrigues, Francesca Bertozzi, Guilherme Barroso, Isabel Gaivão, Joana Almeida, Linda Valadas, Luís Caboco e Manuel Henriques.
Até 30 de maio, de quarta-feira (às 21h30) a sábado (às 19h00 e às 22h00), no Hospital Júlio de Matos – Pavilhão 30, em Lisboa.
OJE