Duas exposições para ver no ‘warm-up’ para a Monstra

A Monstra está quase a começar e para se entrar no espírito do Festival de Animação de Lisboa nada melhor do que espreitar os desenhos do mestre Yamamura e descobrir os segredos das marionetas que dão vida à animação nacional.

Duas exposições para ver no ‘warm-up’ para a Monstra
exposição Yamamura

O Museu do Oriente e o Museu da Marioneta, em Lisboa, acolhem duas exposições muito distintas, mas que convergem no ponto de partida: a animação. No primeiro, destaca-se o processo autoral e criativo do consagrado realizador japonês Koji Yamamura, reunindo mais de meia centena de desenhos originais na exposição intitulada “Dezenas de desenhos!”. Para os lados do Convento das Bernardas, “casa” das marionetas, o foco está na animação portuguesa, nas suas personagens e acessórios.

Isto para dizer que está prestes a começar a 22ª edição da Monstra | Festival de Animação de Lisboa, que se desdobra por vários espaços entre 15 e 26 de março, e que apostou numa parceria com os referidos museus para uma espécie de warm up ao festival que aí vem.

Fernando Galrito, diretor artístico do festival Monstra é o curador da exposição que destaca as paisagens melancólicas e os universos oníricos de Koji Yamamura, onde traços de humor, maravilha e fantasia se confundem. Eis uma proposta estimulante para quem já conhece este nome maior da animação nipónica e, também, para quem se estreia nestas andanças.

A exposição “Dezenas de desenhos!” tem entrada gratuita e revela, para além de 14 originais do filme “Mr.Head” (Atama Yama, 2002, nomeado aos Óscares em 2003), um conjunto de originais da sua mais recente longa-metragem “Dozens of Norths” (2021), lado a lado com o multipremiado “Franz Kafka’s Country Doctor” (2007), e desenhos de um filme que presta homenagem a Eadweard Muybridge, “Muybridge’s Strings” (2011), um fotógrafo inglês que ficou conhecido pela sua técnica de captura de imagens com diversas câmaras.

Além da exposição, o Museu do Oriente recebe uma masterclass orientada por Koji Yamamura sobre os seus filmes, a 17 de março, dia em que o realizador orienta uma visita à exposição “Dezenas de desenhos!”, seguida de uma retrospetiva dos seus filmes. Distinguido em inúmeras iniciativas, foi nomeado para o Óscar em 2003 e vencedor de grandes prémios nos mais conceituados festivais mundiais, como Annecy, Zagreb, Hiroxima ou Haff Monstra, entre outros.

Koji Yamamura começou a desenhar aos 13 anos, fez estudos artísticos na área da pintura na Universidade Zokei, em Tóquio, e trabalhou em estúdios de animação japoneses até fundar o seu estúdio, Yamamura Animation, em 1993, juntamente com a mulher. Animador independente, escreve, anima e realiza os seus próprios filmes, leciona no departamento de animação da Universidade de Tóquio e, nos seus “tempos livres”, dedica-se a ilustrar livros infantis e didáticos.

O Museu da Marioneta acolhe a 16ª exposição da Monstra sob o signo do centenário do cinema de animação português, propondo uma viagem ao passado e presente do cinema de animação made in Portugal, intitulada “Marionetas que guardam o tempo – uma viagem ao mundo das marionetas de animação portuguesas”. Aqui exibem-se diversas peças de filmes recentes, como o ainda inédito “A casa para guardar o tempo” de Joana Imaginário, e “O casaco rosa” de Mónica Santos.

“O Casaco Rosa”, Mónica Santos

Refira-se a título de curiosidade que, no filme de Joana Imaginário, todas as marionetas foram feitas em papel, ao passo que no filme de Mónica Santos as personagens são… casacos. Mas não só. A exposição também apresenta marionetas, cenários e adereços de outros filmes de animação portuguesa realizados por José Miguel Ribeiro, Bruno Caetano ou Vítor Hugo Rocha.

A equipa de Serviço Educativo do Museu da Marioneta tem previstas duas visitas orientadas, a 11 de março e 15 de abril. As inscrições são feitas diretamente no site do museu.

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