Do “Catargate” à morte de 6.500 trabalhadores, Mundial de todas as polémicas está quase a começar

O primeiro Mundial de Inverno começa daqui a um mês. É também o primeiro a realizar-se num país árabe e aquele que mereceu o maior investimento de sempre. Mas este é também o Mundial edificado à custa da morte de 6.500 trabalhadores e atribuído de forma controversa após o episódio conhecido como o "Catargate".

Do “Catargate” à morte de 6.500 trabalhadores, Mundial de todas as polémicas está quase a começar
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O Mundial mais caro de sempre da história da FIFA irá realizar-se pela primeira vez num país do Médio Oriente e numa altura do ano em que nunca tinha acontecido.

Apesar de todas as polémicas que envolvem sempre a organização de uma prova desta envergadura, nunca um Mundial tinha estado tão envolto em controvérsias que vão da morte de trabalhadores na construção das infraestruturas ao boicote de marcas e jogadores à competição.

A bola começa a rolar dentro de um mês no Estádio Al-Bayt, em Al Khor, numa partida que opõe o Catar ao Equador e a final está marcada para 18 de dezembro no Estádio Nacional Lusail.

Só para se perceber a dimensão financeira do primeiro Mundial árabe da história, só o estádio que recebe as cerimónias de abertura e de encerramento – Estádio Nacional de Lusail – implicou um investimento de 45 mil milhões de dólares. Localiza-se a 15 quilómetros da capital, Doha, e apresenta-se com capacidade para 86 mil pessoas.

Ao todo, estima-se que o Mundial do Catar vá custar 225 mil milhões de euros mas que ninguém pense que este é um investimento para um mês. Apesar das altas temperaturas que impossibilitam a este país receber competições no Verão, as autoridades desportivas do país já “namoram” a FIFA no sentido de acolher vários torneios após 2022, entre estes o Mundial de Clubes e os Mundiais de sub-20 e sub-17.

Morte de 6.500 trabalhadores

Apesar deste ser o Mundial com o maior investimento da história, os muitos milhões de euros gastos nas infraestruturas não parecem ter sido suficientes para garantir a segurança de quem ajudou a edificar os estádios onde se vai fazer a maior festa do futebol mundial. Estima-se que tenham morrido 6.500 trabalhadores envolvidos diretamente na construção das infraestruturas do Mundial.

A um mês do Mundial, e a propósito destas mortes, a Amnistia Internacional aproveitou a data para reiterar junto da FIFA e das autoridades do Catar “necessidade de se comprometerem com um fundo de compensação aos trabalhadores migrantes explorados naquele país, e, também, com a implementação de reformas laborais”.

“Milhares de trabalhadores continuam a enfrentar dificuldades resultantes de salários em atraso ou não pagos, negação de dias de repouso, condições de trabalho inseguras, barreiras à mudança de emprego e acesso limitado à justiça. Além disso, continua também por investigar a morte de milhares de trabalhadores”, lamenta a Amnistia Internacional em comunicado.

A verdade é que o Catar nunca permitiu a qualquer organização internacional a inspeção à construção dos estádios do Mundial e a FIFA também não fez tal exigência.

“Na construção de estádios para o Mundial (…) foram, na verdade, três as pessoas que morreram. Três já são três a mais. Mas são três, não seis mil pessoas”, começou por dizer, para, logo de seguida, acrescentar que “podem ter morrido seis mil pessoas noutras obras, mas a FIFA não é a polícia do mundo, nem é responsável por tudo o que acontece pelo mundo”. Quem o disse foi Gianni Infantino, presidente da FIFA, em declarações que foram vistas como uma desvalorização da situação.

Além disso, o Catar é um dos países do mundo em que as mulheres têm menos direitos, algo que poderá limitar a viagem de adeptas para ver os jogos do Mundial. Da mesma forma, este é um país onde não há qualquer tolerância para orientações sexuais não-normativas e onde a homossexualidade masculina pode até ser punida com a pena de morte.

Mundial “comprado”?

O povo costuma dizer que algo que nasce torno, tarde ou nunca se endireita. Os muitos milhões de adeptos de futebol em todo o mundo torcem para que o ditado não se concretize dentro do mês mas a verdade é que a controvérsia à volta do Catar como organizador do Mundial já vem desde o “berço”.

Existem suspeitas de que o Catar tenha, de certa forma, “comprado” a organização deste Mundial. Aquele que ficou conhecido como o “Catargate” foi dado à estampa numa reportagem na France Football em que foi relatado todo o processo que terá envolvido autoridades políticas francesas (com Sarkozy à mistura), a FIFA e os Emirados Árabes Unidos.

Contou a France Football que o Catar comprometeu-se a comprar o Paris Saint-Germain se Michel Platini deixasse de apoiar a candidatura dos EUA ao Mundial de 2022. Resultado: a final foi atribuída ao Catar e o PSG foi mesmo comprado em junho de 2011

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