Dispositivos médicos: mercado em crescimento impulsionado pela digitalização e conetividade

Em Portugal há 400 fabricantes de dispositivos médicos. Este é um dos segmentos mais dinâmicos do setor da saúde, com crescimento sustentado e um forte impulso tecnológico que está a transformar a prestação de cuidados. Número foi revelado na conferência do JE "Economia na Saúde", que decorreu esta terça-feira em Lisboa.

Dispositivos médicos: mercado em crescimento impulsionado pela digitalização e conetividade
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A nível global, o mercado de dispositivos médicos atingiu cerca de 675 mil milhões de dólares, em 2024 representando aproximadamente 25% da despesa total em saúde. As principais áreas incluem diagnóstico in vitro, cardiologia e imagiologia, refletindo a crescente incidência de doenças crónicas e o envelhecimento da população.

“Uma das tendências mais marcantes é a integração tecnológica, com dispositivos cada vez mais conectados através da internet das coisas, permitindo monitorização remota, cuidados domiciliários e integração com registos eletrónicos de saúde, o que contribui para uma maior eficiência e personalização dos cuidados”, explica Hermano Rodrigues, Ey Parthenon,  na conferência “Economia na Saúde: Sustentabilidade e Inovação”, promovida pelo Jornal Económico, em Lisboa.

A nível europeu, o mercado de dispositivos médicos vale 170 mil milhões de euros, segundo dados de 2024, com um crescimento na ordem dos 5,4%. No top 5 dos países que mais investem nesta zona geográfica são Alemanha, França, Itália e Espanha. Ainda nesta estatística entra o Reino Unido.

E no caso nacional?

“Em Portugal, este mercado tem um valor aproximado de 1,6 mil milhões de euros e inclui cerca de 253 mil dispositivos registados no Infarmed”, diz Hermano Rodrigues. Além disso, há 400 fabricantes nacionais de dispositivos médicos registados

Os dispositivos associados à diabetes representam 68% dos encargos gastos pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS) em ambulatório. Já a nível da exportação, os materiais utilizados em contexto hospitalar têm um peso de 13%.

O crescimento deste segmento está também ligado ao aumento das exportações na área da saúde, que representam cerca de 7% do total nacional, com um valor de aproximadamente 5,6 mil milhões de euros. Os principais destinos incluem países europeus e os Estados Unidos, destacando-se a Alemanha como principal mercado.

“A evolução dos dispositivos médicos, cada vez mais orientados para o doente e integrados em soluções digitais, representa uma oportunidade estratégica para Portugal, tanto ao nível da produção como da inovação e da integração em cadeias de valor internacionais”, considera.

Ainda no âmbito da saúde digital, Rodrigues aponta que o mercado global de digital health vai mais do que triplicar em seis anos, superando a maioria das categorias de saúde tradiconais. A telesaúde lidera com 45% do mercado, em 2024.

“O Smart Health em Portugal tem uma dimensão pequena, mas com grande potencial de crescimento. Portugal é o 36.º país em competitividade digital num total de 64 países analisados no mundo e com um valor de 360 milhões de euros entre 2024 e 2029 e com um CAGR de 7,17%”, explica. O responsável destaca ainda o investimento de startups que representa nesta área cerca de 10%.

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