“Deixar de investir continuadamente em tecnologia e inovação não é opção”

O managing director da Alvarez & Marsal defende que o sucesso no sistema financeiro também depende do investimento constante em tecnologia. É fundamental para os ganhos de eficiência, mas também para a melhoria da experiência do cliente. “Não investir não é opção”, afirma. E não é só em software e hardware, mas também em pessoas. A inteligência artificial veio acelerar o processo e as necessidades.

“Deixar de investir continuadamente em tecnologia e inovação não é opção”
leitor_6800e8b412d81_4567987.png

A Alvarez & Marsal está há dois anos a operar diretamente no mercado português, mas regista experiência muito além disso, com trabalhos feitos para diferentes instituições financeiras. A consultora norte-americana também produz anualmente o Portuguese Banking Pulse, um retrato da evolução dos maiores agentes da banca portuguesa, avaliando e relacionando indicadores de atividade, e aponta as tendências de desenvolvimento do setor. E o seu líder, Mário Trinca, acumula três décadas de experiência em consultoria e em gestão de tecnologia no setor financeiro, em Portugal e fora, que constitui o tema central desta entrevista.

O desempenho da banca nos últimos tempos – 2024 foi um ano de ouro – dá margem ao setor para aumentar o investimento em tecnologia?
Certamente que sim, embora existam outras dimensões que os bancos estão a aproveitar, como remunerar os seus acionistas e empregados.
Acredito que os investimentos em tecnologia continuariam a existir mesmo que o desempenho não tivesse sido tão positivo. O atual contexto pode tornar as decisões menos complexas e acelerá-los.

O investimento em tecnologia é mais uma questão de competitividade ou é também uma questão estrutural, até por força da regulação europeia?
Ambas as dimensões são relevantes. Os níveis de exigência da regulação europeia são contínuos, abrangentes, que obrigam os bancos a dar uma efetiva resposta a novos requisitos regulamentares. São exemplos disso o ECB Cyber Resilience Stress Test ou a regulação DORA – Digital Operational Resilience Act, conducente à melhoria da resiliência operacional do setor financeiro, face a potenciais incidentes nas áreas de Information and Communication Technology [Tecnologias de Informação e Comunicação].

Conteúdo reservado a assinantes. Para ler a versão completa, aceda aqui ao JE Leitor

Relacionado

Banca perdeu 14% da rentabilidade em 2025 e fosso entre grandes e pequenos bancos aumentou

Banca perdeu 14% da rentabilidade em 2025 e fosso entre grandes e pequenos bancos aumentou

Maria Teixeira Alves27 Abr
Após um período excecional impulsionado pela subida das taxas de juro, as sete maiores instituições financeiras do país enfrentaram, em 2025, a primeira vaga de compressão de margens desde o pico do Euribor em 2023. É este o retrato traçado pelo terceiro relatório anual Portuguese Banking Pulse, elaborado pela Alvarez & Marsal (A&M), que analisa o desempenho comparativo da CGD, Millennium BCP, Santander, Novobanco, BPI, Crédito Agrícola e Banco Montepio.
Mário Trinca: “Não se antecipa impacto estruturalmente relevante na performance do setor” com subida da taxa de stress do crédito à habitação

Mário Trinca: “Não se antecipa impacto estruturalmente relevante na performance do setor” com subida da taxa de stress do crédito à habitação

Maria Teixeira Alves27 Abr
Na semana passada foi conhecido que o Banco de Portugal quer dificultar acesso ao crédito à habitação, no contexto de querer travar o endividamento excessivo das famílias. Mário Trinca, da Alvarez & Marsal Lisboa, em entrevista ao JE, diz que não espera que medidas para travar o crédito à habitação venham a ter "impacto estruturalmente relevante na performance do setor". O responsável pelo estudo da banca, que acaba de ser publicado, não antevê também risco de contágio direto da crise dos fundos de crédito privado à banca tradicional.