Das eleições mais renhidas ao caso de Santarém como espelho nacional: as presidenciais desde 1976

No dia 18 de janeiro realizam-se as 11.ª eleições presidenciais dos 50 anos de democracia, sendo este o sufrágio com maior número de candidatos: 11. O tiro de partida para a campanha oficial foi dado no domingo. Sabe quais foram as presidenciais mais disputadas de sempre? Quais os distritos mais alinhados com os resultados nacionais e os que mais divergem? A Pordata reuniu dados para responder a esta e outras curiosidades.

Das eleições mais renhidas ao caso de Santarém como espelho nacional: as presidenciais desde 1976
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Com a campanha oficial para as Presidenciais de 18 de janeiro já a todo o gás, a Pordata reúne dados das 10 eleições para Belém, e apresenta duas mãos cheias de conclusões. Por exemplo, desde as primeiras Presidenciais, em 1976, até às últimas, em 2021,  o eleitorado português aumentou 44% (ou 70% se se incluírem os eleitores emigrantes, que passaram a votar nestas eleições a partir de 2001) e todos os presidentes eleitos para um primeiro mandato foram reconduzidos.

A análise feita pela base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos faz um retrato das últimas 10 presidenciais em Portugal, evidenciando “padrões recorrentes de participação, reeleição e comportamento eleitoral”, mas mostra, ao mesmo tempo, revela “singularidades” como o facto de o distrito de Santarém ter sido sempre um espelho da votação global, com um padrão de voto sistematicamente semelhante ao resultado nacional.

As eleições mais renhidas de sempre foram as de 1986, na segunda volta que opôs Mário Sores a Freitas do Amaral, tanto em número de votos (3.015.350 para Mário Soares e 2.864.728 para Freitas do Amaral, uma diferença de 150.622 votos) como em percentagem de votos válidos em cada um: 51,3% contra 48,7%. De salientar que essas foram as únicas Presidenciais em que foi necessária uma segunda volta, cenário que, tudo indica, voltará a repetir-se este em 2026.

Outra das curiosidades que os números permitem tirar é que em quase todas as eleições para um segundo mandato houve um aumento da abstenção, à exceção das eleições de 1976 e de 1980. “O maior aumento da abstenção ocorreu na reeleição de Mário Soares (16 p.p.). A reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa foi a que menos viu aumentar a taxa de abstenção (9 p.p.), apesar de as eleições de 2016 e 2021 terem sido das que registaram maiores taxas de abstenção em presidenciais (51,3% e 60,8% respetivamente)”, analisa-se.

Apesar disso, todos os presidente eleitos para um primeiro mandato (Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa) foram reeleitos e todos, à exceção de Eanes, tiveram uma maior percentagem de votos válidos na sua reeleição. Destaque para Mário Soares, que aumentou a votação em 19 pontos percentuais.

Sobre a votação dos emigrantes residentes no estrangeiro, que passou a ser possível a partir das eleições de 2001, a história mostra que essa possibilidade “deu uma maior percentagem de votos ao candidato vencedor do que a votação dos residentes em território nacional em quatro  das cinco eleições realizadas desde então”. A exceção foram mesmo as últimas presidenciais, para a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, em que 61% dos votos válidos dos residentes em território nacional superaram os 53% dos emigrantes no estrangeiro.

Ao longo do último meio século, foram quatro os candidatos que insistiram em concorrer ao mais alto cargo da Nação nas eleições seguintes. Otelo Saraiva de Carvalho, Manuel Alegre, Marisa Matias e Vitorino Silva. Todos tiveram menor votação, com destaque para Otelo Saraiva de Carvalho que baixou de 16,5% para 1,5%.

Quando falamos de singularidades regionais, o distrito de Santarém surge como o que esteve sempre próximo da votação nacional nas 10 presidenciais, sendo o desvio de votos, em percentagem, de qualquer candidato, sempre inferior a cinco pontos percentuais. “O mesmo aconteceu com os distritos do Porto e de Castelo Branco em oito das eleições”, sublinha a Pordata. Já Braga e Beja têm sido os distritos com um padrão de votos “muito díspar” do nacional, apresentando sempre com uma diferença superior a 10 pontos em todas as eleições.

A campanha oficial para as 11.ª eleições presidenciais arrancou este domingo, com o número recorde de 11 candidatos, sete dos quais apoiados por partidos políticos. As eleições estão marcadas para 18 de janeiro, com a campanha a terminar no dia 16, para o habitual dia de reflexão na véspera do sufrágio.

Concorrem às presidenciais Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

Nos boletins de voto, porém, vão constar 14 nomes, incluindo os três candidatos excluídos pelo Tribunal Constitucional, após não terem corrigido no prazo estipulado irregularidades que tinham sido identificadas: Joana Amaral Dias, Ricardo Sousa e José Cardoso.

As sondagens têm mostrado que uma segunda volta é o cenário mais provável, não sendo, porém, de arriscar dizer quem vai figurar nesse duelo final. Marques Mendes, André Ventura, Henrique Gouveia e Melo, António José Seguro, e até João Cotrim Figueiredo, segundo um dos mais recentes estudos de opinião, têm hipóteses de lá chegar.

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