Cuidado com a pinta destes alentejanos

Cuidado com a pinta destes alentejanos
Cuidado com a pinta destes alentejanos

A Global Wines operou uma mudança radical nos vinhos da Herdade Monte da Cal. Descubra os novos néctares, que prometem ser um caso sério de sucesso.

Os conservadores e os puristas são, regra geral, avessos à mudança. Acham sempre que mudar é recuar, piorar, adulterar. Recusam à partida mutar o certo e o seguro. A operar há mais de oito anos na mais badalada região vitivinícola portuguesa aquém e além-fronteiras, a Global Wines, também conhecida nos meios vínicos como Dão Sul (www.daosul.com/pt), quis ser disruptiva e mostrar um Alentejo moderno, mas com identidade vincada nos traços da tradição. Num estirador desenhou novo visual. Nas mãos dos especialistas deixou o batismo dos néctares e a redefinição do posicionamento da marca. Na vinha e na adega traçou o carácter de velhos e de novos vinhos, arrancados aos 70 hectares de solos predominantemente xistosos e argilosos da Herdade Monte da Cal, terras de cor escura e odores intensos que nos trazem à memória húmidas adegas de chão de terra batida onde o tempo parou.

Tanta e tão boa mudança seria um crime se ficasse adormecida nos fortes odores e traços de aromas de alecrim deste Alentejo que a Global Wines descobriu, cravado numa zona de transição entre as vilas de Estremoz e Fronteira, e que agora quer anunciar ao mundo. E, para apresentar genuínos alentejanos, nada melhor que escolher “O Galito”, o restaurante que é uma das embaixadas da boa cozinha alentejana em Lisboa.

Se a comida importa, o desfile da nova coleção de vinhos era a justificação para o repasto. Nos copos deslizaram um Cal branco 2014, composto a partir das castas antão vaz, arinto e viognier, um vinho descontraído e simples que o enólogo Osvaldo Amado classificou como “leve, informal, bom para o dia a dia”.

O senhor que se seguiu, perdão, o vinho seguinte a deslizar na passerelle foi um tinto, de seu nome Monte da Cal Colheita Seleccionada tinto 2013, composto pelas castas aragonês, trincadeira, syrah e alicante bouschet. Ivo Silva, enólogo residente na Monte da Cal, diz que “representa a acidez e a mineralidade deste terroir alentejano”.

À medida que a refeição avançava chegavam os casos mais sérios. Novos copos acolheram dois vinhos premium: um Herdade Monte da Cal Saturnino 2013, um branco raro (apenas 6 mil garrafas) com nome elevado em tributo à freguesia de São Saturnino, onde nasceu e cresceu, juntando na mesma garrafa as castas alvarinho, antão vaz e arinto; e um Herdade Monte da Cal Saturnino, um tinto de 2011 produzido com as castas aragonês, touriga nacional, syrah e alicante bouschet, um néctar complexo, intenso e profundamente elegante, que se pode tornar uma grande aposta para as garrafeiras de especialistas e apreciadores.

João Bénard Garcia