Cuba. “Portugal pode posicionar-se como parceiro de reconstrução turística”, diz presidente da ANAV

No entanto, Miguel Quintas alerta que a nova abertura cubana, só deverá proporcionar vantagens ao mercado português numa perspetiva de médio prazo e "com enorme prudência". Em declarações ao JE, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, afirma que este posicionamento de Cuba é positivo, numa altura em que Portugal aposta no reforço na América Latina. "Estamos a pensar seriamente em colocar mais agentes e delegados do Turismo de Portugal na Argentina e no México", refere.

Cuba. “Portugal pode posicionar-se como parceiro de reconstrução turística”, diz presidente da ANAV
anav-Miguel Quintas

O turismo português vê com bons olhos e prudência a reforma económica do governo cubano aprovada em 19 de junho através de 176 medidas direcionadas para a organização das empresas privadas e estatais, bancos, turismo, agricultura, investimentos estrangeiros, impostos, salários e mercado cambial. “Portugal pode posicionar-se como parceiro de reconstrução turística, ajudando a elevar qualidade, profissionalização, promoção e distribuição internacional do destino”, afirma ao Jornal Económico Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV).

De resto, considera que para o turista português, uma eventual normalização da economia cubana poderá traduzir-se em mais oferta, melhor produto, maior diversidade de alojamento e serviços mais próximos das expetativas europeias. Contudo, alerta que a nova abertura cubana, só deverá proporcionar vantagens ao mercado português numa perspetiva de médio prazo e “com enorme prudência”.

“Portugal deve estudar oportunidades, criar contactos e preparar soluções para quando existir uma recuperação real. Mas não deve assumir compromissos relevantes até haver prova de que esta nova realidade económica é estável, duradoura e compatível com a segurança dos investidores, das empresas e dos turistas”, salienta.

Como tal, o presidente da ANAV defende que é essencial não confundir a aprovação das 176 medidas com uma mudança já consolidada, até porque Cuba está a abrir setores que sempre estiveram sob controlo estatal, numa tentativa de responder a uma crise económica, energética e social muito profunda.

“Será necessário tempo para perceber se as regras são executadas, se os investidores conseguem operar com segurança, se existem pagamentos funcionais, abastecimento regular, energia e proteção contratual”, refere.

Por outro lado, destaca o papel que as agências, operadores e empresas portuguesas têm de experiência em distribuição turística, gestão hoteleira, formação, tecnologia, produto cultural e construção de circuitos.

“Caso esta liberalização se consolide, poderá haver espaço para desenvolver parcerias com novos operadores locais, criar empresas de turismo recetivos, lançar produtos diferenciados e recuperar Cuba não apenas como destino de sol e praia, mas também como destino cultural, histórico e de muitas mais experiências”, sublinha.

“Portugal está a apostar muito na América Latina”

A reabertura económica de Cuba pode ajudar também ao crescimento em Portugal. “É uma medida positiva. Portugal está a apostar muito na América Latina. Estamos a pensar seriamente em colocar mais agentes e delegados do Turismo de Portugal na Argentina e México”, afirmou em declarações ao JE, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, à margem do evento do 35.º aniversário do Zoomarine.

Abertura ao setor privado

Quem olha com cautela para a abertura de Cuba ao investidor estrangeiro é a Confederação do Turismo de Portugal (CTP). “A abertura de qualquer economia estatizada à iniciativa privada é sempre um processo complexo e lento e Cuba não será exceção. Como sabemos, o país ainda vive num modelo estatal muito forte, pelo que a sua abertura a um modelo de reforço da iniciativa privada irá ocorrer de forma gradual e ainda politicamente sensível”, diz Francisco Calheiros, presidente da CTP.

No caso de Cuba o processo é mais complexo, dado que o país ainda vive num modelo estatal muito forte, pelo que a sua abertura a um modelo de reforço da iniciativa privada irá ocorrer de forma gradual e ainda politicamente sensível.

“Os benefícios para as empresas nacionais e o turismo não serão rapidamente visíveis e vão depender muito de como serão ‘desenhadas’ em concreto as reformas anunciadas”, salienta Francisco Calheiros.

Contudo, se Cuba avançar para uma privatização gradual e credível, tal poderá levar a uma maior participação de empresas portuguesas e estrangeiras, tendo o turismo como o principal motor de crescimento do país. “Para que tal seja realidade, tem de haver uma abertura real ao setor privado, um menor controlo estatal da economia e a capacidade de modernizar infraestruturas”, refere.

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