A gigante mundial da cortiça, Corticeira Amorim, anunciou, esta quinta-feira, que encerrou o exercício de 2025 com uma quebra de 20,3% no resultado líquido, pressionada pela incerteza macroeconómica global e pela retração no consumo.
A Corticeira Amorim apresentou os seus resultados anuais, revelando um lucro de 55,6 milhões de euros em 2025. O valor marca o segundo ano consecutivo de forte erosão nas contas da empresa, após uma descida de 22% em 2024. Segundo o comunicado enviado à CMVM, a “elevada incerteza global” continua a ser o principal travão, afetando diretamente a procura por parte dos clientes.
“A atividade da Corticeira Amorim em 2025 foi condicionada por um contexto de elevada incerteza, marcado por tensões geopolíticas e por transformações significativas no comércio internacional, num ambiente de transformação dos hábitos de consumo de álcool que impõe pressões adicionais sobre o setor vitivinícola, admitiu António Rios de Amorim, presidente do Conselho de Administração da Corticeira Amorim.
O volume de negócios consolidado fixou-se nos 861 milhões de euros, uma redução de 8,3% face ao ano anterior. É um recuo significativo para a cotada que, em 2022, tinha conseguido superar a barreira histórica dos mil milhões de euros em vendas.
A empresa ressalva, contudo, que parte desta descida se deve à saída da Timberman Denmark do perímetro de consolidação. Sem este efeito de alienação, a queda nas vendas teria sido mais moderada, situando-se nos 5,3%.
No que toca à rentabilidade operacional, o EBITDA consolidado atingiu os 141 milhões de euros (abaixo dos 157,6 milhões de 2024). A margem EBITDA sofreu um ligeiro ajuste, passando de 16,8% para 16,4%.
XTB destaca ambiente desafiante para a Corticeira Amorim
Numa análise aos resultados da Corticeira Amorim, a corretora XTB alerta que “as métricas de rentabilidade evidenciam uma deterioração na capacidade da empresa de gerar lucro, situação que exige monitorização trimestral rigorosa daqui em diante. A progressão da contração ao longo do ano, culminando num quarto trimestre particularmente débil, sugere que as pressões sobre a rentabilidade poderão não ser meramente conjunturais, mas potencialmente estruturais”.
Por outro lado, e caso a empresa não consiga implementar medidas eficazes de recuperação das margens e relançamento do crescimento das vendas nos próximos trimestres, “poderá ser forçada a reduzir o dividendo nos anos subsequentes, o que penalizaria significativamente os acionistas de longo prazo que investem na empresa pela sua histórica capacidade de distribuição de dividendos consistentes”, dizem os analistas.
Já no que toca à liquidez e solvabilidade, a XTB destaca que a empresa “demonstrou uma evolução positiva, com um aumento do capital próprio e uma redução drástica da dívida líquida”.
“Estes indicadores sugerem que a Corticeira Amorim não enfrenta constrangimentos de financiamento de curto prazo nem riscos de solvabilidade no horizonte temporal dos próximos 12 meses, proporcionando alguma margem de manobra para implementar estratégias de recuperação operacional sem a pressão adicional de refinanciamentos ou covenants bancários exigentes”, concluem.