O colectivo pela justiça climática, Climáximo, considerou que a corrupção em energias renováveis são “apenas uma face visível da guerra à sociedade”, na sequência das notícias que dão conta das buscas do Ministério Público que envolvem o Governo.
“Num sistema económico que coloca o lucro acima da vida, o processo de instalação de renováveis em Portugal é uma oferta constante e permanente de apoio público à indústria privada, sem contrapartidas. É um processo que cria as condições perfeitas para a banal corrupção, apenas mais um dos crimes visíveis que o governo e empresas fósseis cometem contra a sociedade”, frisou o Climáximo.
Segundo o colectivo “ao invés de se implementarem as únicas propostas compatíveis com a ciência e a salvaguarda das condições de vida – indústrias públicas e emprego digno cujo objetivo seja travar o caos e fornecer eletricidade e transporte acessíveis e renováveis – governo e empresas corrompem qualquer pretensão de transição com falsas soluções como exploração de lítio”.
“É um ato criminoso de arrogância governamental colocar milhares de milhões de euros de dinheiro público nas mãos das empresas criminosas que semearam, alastraram, e perpetuaram o terror climático – em Portugal a Galp, a EDP e a REN -, e achar depois que sairiam ilesos do processo”, sublinhou o Climáximo.
Para o colectivo “o governo subsidia os principais culpados pela destruição das condições de vida em Portugal, e depois justifica isto com falsas narrativas sobre clima”.
Esta terça-feira, o Ministério Público está a realizar buscas num processo que envolve os nomes João Galamba, João Matos Fernandes e Diogo Lacerda Machado. Em causa está uma investigação a negócios de hidrogénio e lítio em Portugal.