Corretor de Pete Hegseth tentou comprar fundo de defesa antes de ataque ao Irão

Porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que as alegações são "falsas e fabricadas". Secretário de Trump, que é um dos principais arquitetos da guerra no Irã, queria investir milhões no setor

Corretor de Pete Hegseth tentou comprar fundo de defesa antes de ataque ao Irão
epa12355957 Defense Secretary Pete Hegseth speaks after US President Donald Trump signed an executive order including the re-naming of the Department of Defense to the Department of War during a press availability in the Oval Office of the White House in Washington, DC, USA, 05 September 2025. EPA/FRANCIS CHUNG / / POOL

Um corretor de Pete Hegseth, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, tentou fazer um grande investimento em importantes empresas de defesa nas semanas que antecederam o ataque americano-israelita ao Irão, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo Financial Times.

O corretor de Hegseth no Morgan Stanley entrou em contato com a BlackRock em fevereiro sobre um investimento multimilionário no ETF Defense Industrials Active da gestora, disseram as fontes, pouco antes de os EUA iniciarem a ação militar contra Teerão.

A consulta em nome do potencial cliente de alto perfil foi sinalizada internamente na BlackRock, de acordo com as pessoas familiarizadas com o assunto. BlackRock, Morgan Stanley e o Pentágono recusaram-se a comentar.

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse nesta segunda no X, após a publicação da reportagem, que as alegações são “totalmente falsas e fabricadas” e exigiu uma retratação.

Segundo a BlackRock, o fundo de ações de US$ 3,2 biliões, que opera sob o ticker IDEF, busca “oportunidades de crescimento investindo em empresas que podem se beneficiar do aumento dos gastos governamentais em defesa e segurança em meio à fragmentação geopolítica e competição econômica”.

Suas maiores participações incluem os conglomerados de defesa RTX, Lockheed Martin e Northrop Grumman, que têm o Departamento de Defesa dos EUA como seu maior cliente, além da especialista em integração de dados Palantir.

Hegseth está entre os principais arquitetos da guerra no Irão e também atuou como um dos defensores mais vocais do governo Trump para o ataque, frequentemente ostentando o poderio militar dos EUA.

O investimento discutido pelo corretor de Hegseth acabou não se concretizando porque o fundo, lançado em maio do ano passado, ainda não estava disponível para compra pelos clientes do Morgan Stanley. Embora os ETFs sejam projetados para serem comprados e vendidos tão facilmente quanto uma ação, sua proliferação fez com que a maioria das grandes corretoras e plataformas de negociação ofereça apenas um subconjunto dos mais de 14 mil ETFs existentes.

Não se sabe se o corretor de Hegseth posteriormente encontrou um fundo alternativo focado em defesa para fazer o investimento. Os ETFs são populares entre investidores individuais porque tendem a oferecer taxas mais baixas e tratamento tributário mais favorável do que os fundos mútuos, além de permitir compras e vendas mais rápidas.

O fundo IDEF, listado na Nasdaq, subiu 28% no último ano, mas não se valorizou com a guerra no Médio Oriente, caindo quase 13% no último mês.

Embora a natureza da abordagem à BlackRock possa ter evitado perdas de curto prazo, o fato de o corretor de Hegseth estar preparado para fazer tal investimento enquanto o próprio departamento do secretário se preparava para lançar uma campanha militar em larga escala provavelmente gerará controvérsia.

As discussões sobre o investimento em defesa ocorrem em um momento em que analistas de Wall Street têm examinado negociações feitas em mercados financeiros e de previsão antes de decisões tomadas pelo governo Trump.

Hegseth tem sido um defensor da campanha dos EUA contra o Irão, com o presidente Donald Trump identificando-o como o primeiro em seu círculo de segurança nacional a pressionar pela guerra.

Hegseth é ex-apresentador da Fox News. Enquanto estava na emissora, ele ganhou US$ 4,6 milhões em salário de 2022 a 2024, de acordo com um formulário apresentado para sua confirmação no Senado. Ele também recebeu quase US$ 500 mil de dois adiantamentos de livros nesses anos, e de US$ 100 mil a US$ 1 milhão em royalties por cada um. Também ganhou quase US$ 900 mil em honorários por palestras.

A sua declaração financeira mais recente, de junho de 2025, mostrou que o secretário de Defesa vendeu ações de 29 empresas diferentes, com valores variando de US$ 1.001 a US$ 50 mil cada.

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