Segundo a Morgan Stanley, os fundos que se regem por princípios de padrões ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG) fecharam o ano de 2022 com 2.8 biliões de dólares em ativos sob gestão. A classificação destes fundos não é uniforme, mas estima-se que já representem 7% desses ativos.
Se em território europeu a promoção deste tipo de investimentos parece seguir uma tendência inabalável, quer em termos políticos, de regulação e até de preferência dos investidores, nos EUA a situação é bem diferente. As declarações recentes do presidente-executivo da BlackRock chamaram a atenção. Larry Fink, que até esteve na vanguarda deste processo nos EUA, diz que parou de usar o termo “ESG” porque “se tornou muito politizado, sendo utilizado quer pela extrema-esquerda, quer pela extrema-direita” e considerado como símbolo de “uma agenda social ou ideológica”. Essa controvérsia levou algumas empresas cotadas a recuarem em compromissos ESG, embora a BlackRock tenha dito que apenas abandona as referências e não as práticas de sustentabilidade.
Como cada tendência gera uma contra tendência, existem também fundos “anti-ESG” que, segundo a Morningstar, já contam com 2,1 mil milhões de dólares sob gestão. Esses veículos, pelo menos 27, detêm posições acima da média em ações de setores controversos, como os das armas de fogo, combustíveis fósseis, tabaco e jogos de azar. Inclusivamente, há estados que têm legislação “anti-ESG”. A polarização político-partidária norte-americana tem vindo a exacerbar o extremar de posições relativamente aos temas da sustentabilidade.