O Teatro Nacional de São Carlos apresenta “La Cenerentola, ossia la bontà in trionfo”, de Gioachino Rossini e libreto de Jacopo Ferreti, a partir do conto “A Cinderela”, de Charles Perrault. Com direção musical de Pedro Neves e com Chiara Amarù e Jorge Franco, dois especialistas nos papéis de Angelina e Don Ramiro, o elenco português é composto por José Fardilha, Carla Caramujo e Cátia Moreso.
Esta ópera resultou de uma encomenda para o palco do Teatro Valle, em Roma, e deveria ser completada num curto espaço de tempo, sendo urgente a escolha do argumento e do libretista. La Cenerentola, com libreto de Ferretti, foi a escolha final e, em apenas 24 dias, a obra foi escrita, composta, ensaiada e estreada. Poética e musicalmente, conta com algumas das características tipicamente rossinianas, a começar pelo texto, que explora o sentido e a sonoridade dos nomes e das palavras, muitas vezes com rimas, aliteração ou duplos sentidos. Diálogos vivazes e inteligentes, por vezes com recurso ao parlato, sucedem-se e interpolam-se com números a solo e de conjunto.
A história gira em torno de Dom Magnífico, barão de Monfiascone que, cheio de dívidas, resta-lhe recorrer ao casamento das filhas com maridos abastados para evitar a ruína. Nos seus dias de fausto, havia desposado uma viúva que tinha uma filha chamada Angelina. Desta união nasceram duas raparigas, Clorinda e Tisbe, criaturas arrogantes e vaidosas. Após o falecimento da mãe, a pobre Angelina sofre os piores tratos por parte das meias-irmãs e do padrasto. Destinada às mais humilhantes tarefas domésticas, toma o nome de Cenerentola, a Cinderela.
A música reúne os principais ingredientes rossinianos, em particular na construção das árias e números de conjunto, virtuosismo vocal e efeitos orquestrais que refletem os vários quadros sentimentais do argumento.
Armanda Alexandre