Os Estados Unidos classificaram a operação que resultou na captura do líder chavista Nicolás Maduro como uma operação policial “com apoio militar”, respondendo assim às críticas da parte de diversos países durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Convocada a pedido da Venezuela, a reunião, sabia-se, não iria resultar em qualquer reprimenda à atuação dos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos realizaram com sucesso uma operação policial cirúrgica, com apoio de militares, contra dois fugitivos procurados pela justiça americana: o narcoterrorista Nicolás Maduro e Cilia Flores” — afirmou o representante norte-americano no Conselho de Segurança, Mike Waltz. Repetia assim o que o secretário de Estado Marco Rubio já havia afirmado antes: não há uma guerra contra a Venezuela ou os venezuelanos. “Os EUA prenderam um narcotraficante que agora será julgado, seguindo o devido processo legal”, afirmou ainda.
As afirmações de Waltz – que, segundo a imprensa, também afirmou que os EUA não estão “a ocupar um país” – ocorreram após uma série de países se pronunciarem de forma muito crítica à operação. Rússia e China classificaram a ação como uma “agressão armada” contra Caracas, com implicações face ao direito internacional mas também interno, uma vez que um presidente norte-americano precisa de autorização do Congresso para realizar um ato de guerra. Na ótica de Waltz, o problema nem sequer se coloca.
“A China está profundamente chocada e condena fortemente os atos unilaterais, ilegais e ameaçadores dos EUA” disse o porta-voz chinês no Conselho, acrescentando que “nenhum país pode agir como polícia do mundo ou presumir ser a justiça internacional”.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou preocupação com a matéria numa declaração lida ao início da sessão pela subsecretária-geral para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo. E pediu respeito pela independência política de todos os Estados. “Em situações tão confusas e complexas como a que enfrentamos agora, é importante mantermos a fidelidade aos princípios: respeitar a Carta da ONU e todos os outros marcos legais aplicáveis para salvaguardar a paz e a segurança”, dizia a mensagem de Guterres.