Vinte anos a exercer na área da Psicologia não diminuíram um milímetro a sua paixão mais antiga. A miúda que gostava de rabiscar, desenhar e reinventar peças de roupa deu lugar à empresária determinada em transformar essas duas décadas de experiência humana e social num desafio à sua criatividade no mundo do design e da moda.
Lucie Gomes rasga um sorriso ao recordar como tudo começou. Ou melhor, o que a fez olhar para a sustentabilidade como um pilar que é para levar muito a sério. Um episódio que muitos recordarão como algo longínquo, teve um efeito transformador em Lucie. A tragédia do desabamento do Rana Plaza, em Daca, no Bangladesh, provocou a morte de 1.130 pessoas e feriu outras 2.500, sobretudo trabalhadores das cinco fábricas têxteis que operavam nos nove andares do edifício.
Estávamos em 2013, e essa rutura com a indústria da moda massificada acendeu o rastilho criativo de Lucie Gomes, a empreendedora luso-francesa que iniciou em França a sua aventura com vendas online e se mudou para Portugal, para pôr de pé a sua visão de moda sustentável, a Etikway. Todas as peças – da roupa ao calçado e acessórios – são produzidas com materiais orgânicos e reciclados, sempre certificados por entidades internacionais, como a OEKO-TEX ou a Global Organic Textile Standard.
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