A Coligação Confiança vai apresentar uma proposta que tem por propósito iniciar o processo de classificação do núcleo urbano existente no primeiro local no concelho onde, há 600 anos, os homens de Zarco assentaram pé em terra firme. É proposto pela Coligação Confiança que se abra o processo de classificação como conjunto de Interesse Municipal o núcleo urbano da Foz da Ribeira Gonçalo Ayres, do forte do Lazareto ou dos Louros e do Miradouro do Lazareto.
“A Foz da Ribeira Gonçalo Ayres, atualmente desconhecida de muitos funchalenses, serviu ao longo dos séculos, de local de desenvolvimento de várias atividades, como a instalação do Lazareto, que dá nome ao sítio, de um hospital, de uma prisão, de um asilo e um centro polivalente. Considerando que o património arquitetónico e natural, associado à riqueza da sua história, fazem deste espaço um local único que deve ser preservado à voragem dos apetites imobiliários, salvaguardando o seu usufruto para os funchalenses do presente e do futuro”, diz a Coligação Confiança.
A coligação refere que tem aguardado, por parte do executivo municipal (PSD/CDS-PP), de medidas que modernizem, qualifiquem e regenerem a cidade em termos urbanísticos, mas que essas “tardam em chegar”.
É salientado pela Coligação Confiança que num momento de “forte especulação imobiliária e enorme fluxo turístico” na região, face à “evidente crise social e crescente insegurança” na cidade, é preciso implementar medidas estratégicas, em termos urbanos, para a construção do futuro do Funchal.
“Este tipo de medidas incentiva a permanência e a deslocação no espaço urbano. Consequentemente estas ‘acupuncturas urbanas’ serão determinantes na atratividade dos lugares da cidade, na segurança do espaço público, no crescimento e dinâmica da economia local. Esta proposta de classificação surge no seguimento do arranque de obras no local e como medida de salvaguarda de património importante da cidade do Funchal, que se encontra num estado de degradação avançado”, refere o vereador da Coligação Confiança, Amílcar Nunes.
“Para nós é fundamental que este património seja devolvido à cidade e aos funchalenses pois são parte do seu carácter e identidade. É importante que esta área da cidade seja redescoberta e reinscrita nos pontos de interesse da cidade, pois possui, a vários níveis, um enorme potencial. Esperamos que esta proposta constitua uma alavanca para que se volte a fazer urbanismo e a desenhar uma cidade para o futuro”, acrescenta Amílcar Nunes.