No processo de escolha de uma aplicação financeira devemos ter em consideração vários fatores, tais como, o horizonte temporal do investimento, o perfil de risco e o peso relativo do mesmo no total do património.
Vamos analisar cada um destes fatores isoladamente:
• Horizonte temporal do investimento:
Pretende um investimento de curto, médio ou de longo prazo?
Deverá ter em consideração que quanto menor for a duração do seu investimento, mais conservadora deverá ser a aplicação financeira. Por outro lado, se não prevê necessitar do seu capital durante mais de 5 anos poderá escolher uma aplicação mais exposta ao risco.
• O perfil de risco:
Risco e Rendimento estão sempre associados. Se o seu objetivo é maximizar a rentabilidade do seu investimento terá necessariamente de assumir um maior nível de risco. Se a sua preocupação é essencialmente a preservação do seu capital, não sendo o rendimento tão importante, deverá optar por um produto com um menor nível de risco. Neste ponto, relembro que todos os investimentos têm risco. Até mesmo os mais conhecidos Depósitos a Prazo têm risco, o qual se traduz na maior ou menor probabilidade de o Banco falir e conseguir ou não devolver o Depósito ao cliente e pagar o respetivo juro.
• O peso relativo do seu investimento:
Qual a percentagem que o seu investimento representa no seu património total?
Quanto maior for essa percentagem mais conservador deverá ser o investimento. Se estiver a aplicar um montante que represente apenas uma percentagem reduzida já poderá assumir algum risco.
Na escolha duma aplicação financeira devemos ter em consideração todos estes fatores em conjunto.
Hoje em dia, com a DMIF II – Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros, as Instituições Financeiras são obrigadas a efetuar testes de adequação que permitem avaliar se determinado produto financeiro é adequado ou não ao seu perfil.
Assim, onde podemos hoje aplicar 5.000 euros?
Começando pelos produtos de menor risco, temos os depósitos a prazo, que na prática são empréstimos a bancos e que têm hoje em dia taxas de juro entre 0% e 1% líquidos. Trata-se de uma aplicação bastante conservadora e de risco reduzido. No entanto, face aos atuais níveis de taxa de juro torna-se pouco apelativa.
Com um nível de risco equiparável, temos os certificados de aforro ou de tesouro que são empréstimos ao Estado Português e cujas taxas de juros atuais variam entre 0,5%-1% líquidos. Tal como os depósitos a prazo, os certificados de aforro e de tesouro devem ser utilizados apenas para aquele capital que prevemos vir a necessitar a curto prazo e, como tal, não pretendemos correr grandes riscos.
A seguir temos as Obrigações que são empréstimos a empresas ou a países e que podem render mais mas, têm mínimos de investimento elevados, pelo que é aconselhável investir através de fundos de obrigações, com mínimos de investimento simbólicos e em que o risco acaba por ser inferior ao de investir em obrigações em direto. Nos últimos 10 anos, a rentabilidade média anual dos fundos de obrigações em Portugal foi de cerca de 3,8%, dados a 26 de Abril de 2019.
Para os menos avessos ao risco, temos as Ações e os fundos de ações, cujas oscilações são mais acentuadas, mas que nos últimos 10 anos tiveram uma rentabilidade média anual de 5,6%.
Por fim, os Fundos PPR constituem investimentos em carteiras diversificadas de obrigações e ações, renderam em média 2,8% ao ano, nos últimos 10 anos. Estes produtos têm uma grande vantagem fiscal pois, ao contrário de todas as outras formas de aplicação de poupança cujos rendimentos são taxados a 28%, no PPR o investidor apenas paga 21,5%. E caso mantenha o PPR mais de 8 anos paga apenas 8,6%!
Antes de tomar uma decisão de investimento, compare bem as várias opções, ao nível das rentabilidades, ao nível dos custos e ao nível da fiscalidade. E, não se esqueça, não coloque os ovos todos no mesmo cesto.